Afirmando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de "voltar a temas desagradáveis" ao longo da campanha, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conclamou o PSDB a explorar a crise política na disputa pela Presidência da República. FHC incitou o partido a "saber o que interessa na campanha" e "forçar essa agenda".
"Tem que puxar para a briga", insistiu. "Não podemos embarcar na agenda dos nossos companheiros que estão lá em cima, não. A conversa deles é de que essa questão moral não conta mais. Conta, sim. Ladrão não mais."
Para ele, fazer o povo "sentir que o novo governo está disposto efetivamente a punir é essencial". Mas "ninguém acredita mais que vá acontecer" porque os "fios que ligam hoje o eleito ao eleitor estão desencapados".
Por isso, recomendou, o PSDB deve votar pela cassação de todos os envolvidos no escândalo do mensalão - inclusive dos tucanos - para "repudiar" a idéia de que políticos sejam "farinha do mesmo saco" e reconquistar a confiança do povo. "Tem que acontecer. Não acho certo, não acho bom que seja só para uns, não. Para todos, inclusive para os nossos. Se não, você não tem moral", afirmou.
O ex-presidente cobrou dos tucanos coragem para "dizer que não, votar contra, cassar". "Não tem palavra que diga não sou igual. Se você procede da mesma maneira, está perdido." FHC fez questão de frisar que muitos tucanos já estão mergulhados nessa tarefa. "Não estou criticando irresponsavelmente. Estou dizendo que nós todos temos que fazer isso e não aceitar essa conversa."