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OFENSA À DIGNIDADE HUMANA - População condena compra de votos em troca de alimentos
Data de Publicação: 10 de fevereiro de 2006 | | |
| Dinheiro público paga brindes eleitoreiros
COMÍCIO FORA DE ÉPOCA
Não ficou só na distribuição de 1.300 "sacolinhas" a ação eleitoreira fora de época dos frentistas de José Reinaldo Carneiro Tavares, em São José de Ribamar. Depois de 31 de outubro, quando o chefe da caravana bancada pelo governo do estado foi o deputado João Castelo Ribeiro Gonçalves (PSDB), na véspera do Natal o próprio governador levou correligionários para distribuir mais brindes, atacar adversários e pedir votos. Filmados e fotografados por equipes da Secretaria de Comunicação do Estado e pela produtora TVT Vídeo, os registros acabaram vazando para a imprensa e já foram parar no Tribunal Regional Eleitoral, em forma de representação assinada pelo Partido Trabalhista Nacional, PTN.
Para o advogado Marcos Coutinho Lobo, do PTN, "diante de provas fartamente documentadas, não há como os delinqüentes escaparem das punições. Eles discursam como candidatos, pedem votos e dão brindes bancados pelo governo, tudo isso depois que o próprio governador anunciou em um outro evento que a máquina governamental estaria em ação para eleger os seus candidatos", informa. Lobo pediu ao TRE, pelo PTN, multas e suspensão dos direitos políticos por 3 anos para todos os envolvidos.
No dia 31 de outubro, quando os frentistas distribuíram 1.300 sacolinhas em Ribamar, os políticos presentes eram os secretários de José Reinaldo Carlos Brandão (secretário particular), Othelino Neto (Meio Ambiente), Lula Almeida (Desenvolvimento Social) e Conceição Andrade (Agricultura). Os auxiliares de níveis mais baixos Roberto Câmara, representante do Governo em Ribamar, e Júlio César Matos, o "Julinho", ex-prefeito da cidade e diretor da Maternidade Marly Sarney, e os parlamentares situacionistas Ribamar Alves (deputado federal, PSB), João Castelo (deputado federal, PSDB), Julião Amim (deputado estadual, PDT), Afonso Manoel e José Lima (deputados estaduais, PSB) e Wagner Lago (deputado federal, PDT) também participaram do ato ilegal. A exceção de "Julinho", todos se anunciaram candidatos naquela oportunidade.
 Silvia de Kátia Costa, 32, dona de casa “Eles pensam que o povo é besta. A necessidade é que faz com que algumas pessoas votem neles. Tem muita gente desempregada, lutando para dar comida para os filhos. Aí, eles enganam o povo com essa história de cesta básica”.
Claudionor de Jesus França, 48, comerciante “A gente está vendo que é um meio de comprar votos. É uma péssima atitude tanto de quem vende votos quanto de quem compra. Voto é um direito da gente. O direito deles é de se eleger com dignidade, não com fraude, com compra de votos”.
Antonio Henrique Mendonça, 37, estivador “O governador está comprando votos. Só no tempo de eleições é que eles ajudam? José Reinaldo está acabado. Alguns ignorantes votam porque acham que estão recebendo alguma coisa. Ele engana o povo. Ele não me compra”.
 Fernando Maioba, taxista “Ele faz isso porque é ano eleitoral, fazem de tudo para agradar o povo em troca de voto. Esse ano, o que vai ter de safadeza não está escrito. E o pior é que fazem na cara da Justiça e a Justiça vê, mas não enxerga, ou faz que não enxerga...”
Elismar Moura Pinto, 43, dona de casa “Isso é uma falta de vergonha, uma falta de respeito desse governador. Eles só se preocupam em olhar para as pessoas em ano eleitoral. Isso é uma podridão, uma imoralidade. Dá é nojo. Tenho nojo desse tipo de político.
Anselmo Silva Campos, 53, assistente contábil Essa é uma atitude muito feia deles. Não deviam fazer isso. E ainda é contra a lei. É claro que o governador está tentando comprar votos. Isso é um absurdo. Eu não votaria em um político desses em hipótese alguma.
Já na véspera do Natal, estavam com o governador a secretária da Agricultura, Conceição Andrade; o suplente de deputado estadual, Afonso Manoel (PSB); os deputados estaduais José Lima (PSB) e Julião Amim (PDT); o representante do governo em Ribamar, Roberto Câmara, e o diretor da maternidade Marly Sarney, Júlio Matos, o "Julinho". Se no evento de outubro o mais irado era João Castelo (agora anunciado como candidato ao Senado), na véspera do Natal quem assumiu o tom raivoso, além do governador, foi Afonso Manoel, marido da secretária da Saúde do Estado, Helena Duailibe. Por três vezes, ele gritou "chega de Sarney".
Sorriu quando ouviu "Julinho" dizer, em discurso, que recomenda o seu nome para receber os votos para deputado estadual e o de Julião Amim para federal.
O governador José Reinaldo discursou dizendo que "o povo precisa saber que está na hora de libertarmos o Maranhão". Atacou dizendo que "os senadores, sem exceção, boicotaram o projeto do empréstimo", e que "o senador João Alberto, tenho certeza, nunca mais vai se eleger nem a peão de obra". Pediu votos quando disse que "o Maranhão vai continuar mudando graças a pessoas como Câmara, Julião Amim, Afonso Manoel, Lima, Carlos Brandão, Conceição e todos nós que estamos aqui. Ano que vem vai ter eleição e nós vamos ter que dar o troco". Disse mais: "Nós temos que continuar nessa luta. Não pode [o governo] voltar para esse pessoal irresponsável" Lamentou o futuro afirmando que "eu não posso sair do governo, para poder manter essa chama acesa para vencermos a eleição". Por último, anunciou outro crime: "Eu estou autorizando o Julinho, o Câmara, os nossos vereadores e deputados estaduais estão autorizados a pegarem as associações, fazerem os projetos e nós faremos os projetos direto com as associações".
Júlio "Julinho" Matos discursou na qualidade de cabo eleitoral de Afonso Manoel e Julião Amim, disse que "isso aqui é um ato de solidariedade, mas também é um ato político, pessoal!". Revelou-se subserviente quando disse que "eu estou aqui, doutor Governador, e se o Senhor disser assim 'doutor Julio, o senhor vai votar naquela formiga', eu voto na formiga. Eu vou votar na formiga, pessoal". Escancarou o comício anunciando: "Eu tô acompanhando um deputado estadual, Afonso Manoel, um deputado federal, se Deus quiser, o Julião Amin".
O outrora ferrenho combatente de José Reinaldo, Julião Amim, começou amoroso: "Parabéns, governador, pela sua atitude", e acabou zangado: "Cabe a nós, maranhenses, que temos compromisso de mudar (...), lutar para derrubar essa tirania no Maranhão representada pela família Sarney".
Afonso Manoel disse que "esse é um momento histórico, véspera de Natal e começo de ano novo. O governador Zé Reinaldo conseguiu unir as duas maiores lideranças aqui de São José de Ribamar". Fez comício explícito quando disse que "pra mim é a maior alegria que tive esse ano de 2006, ouvir das palavras de Julinho que sou o seu candidato a deputado estadual". Foi gentil ao recomendar também os colegas: "A gente nomina Conceição Andrade, também candidata a deputada estadual, o deputado Lima, deputado federal Brandão, também aqui". Assumiu uma postura irada quando disse que "nós vamos mudar o Maranhão. Chega de família Sarney, chega de família Sarney!". Foi mais eleitoreiro ainda: "A gente quer deixar essa mensagem de muito otimismo, da vitória, seja Jackson, seja Castelo, seja Tadeu Palácio, seja João Evangelista, um desses quatro candidatos vai ser o futuro governador do nosso Estado". Já Carlos Brandão disse que "hoje estamos aqui, com muita alegria, distribuindo esses kits", e encerrou dizendo que "vamos mudar o Maranhão".- Próximo texto:
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