CONIVÊNCIA CRIMINOSA
O que poderia ser uma ação cotidiana de repressão ao consumo de drogas revelou-se uma cena surpreendente na tarde de quarta-feira, no centro de São Paulo: um agente da Guarda Civil Metropolitana ajudando dois adolescentes a se drogar no meio da rua. Os menores estavam nadando em um lago, junto a um monumento construído no local.
Guardas da GCM que normalmente fazem a segurança da região apareceram e expulsaram os meninos de lá. Dois garotos do grupo, no entanto, permaneceram no local e um solicitou ajuda a um dos guardas.
Ele entregou uma garrafa ao GCM que continha uma substância solidificada no fundo. O guarda virou a garrafa de ponta-cabeça e, com um isqueiro aceso, esquentou o fundo - a fim de derreter o produto e facilitar a inalação do vapor, que produz a sensação de alucinação.
A ação durou poucos segundos. Depois, o guarda devolveu a garrafa para o menino e, sem nenhum tipo de aconselhamento ou retenção do produto, os observou saindo.
A Coordenadoria de Segurança Pública da prefeitura paulistana divulgou nota, ainda na noite de quarta-feira, na qual diz que vai investigar o caso.
Segundo o advogado criminalista Luiz Flávio Gomes, o guarda poderá ser enquadrado no crime de colaboração e incentivo ao uso de drogas - e ser condenado a até 15 anos de reclusão.
Guarda nega
O guarda flagrado afirmou, ontem, à Guarda Civil Metropolitana que não ajudou o menor a se drogar. Ele afirmou que apreendeu a garrafa do garoto e o liberou, procedimento que também não é correto. De acordo com a GCM, ele deveria ter encaminhado o menor a uma delegacia, onde ficaria à disposição da Justiça.
A GCM informou também que um inquérito interno será instaurado e, se for concluído que o guarda é culpado, ele pode receber punição que vai de advertência até demissão.