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O festim reinaldista


Data de Publicação: 11 de fevereiro de 2006
 
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Estava tudo programado para ser uma grande festa, mas o encontro da Frente da Traição acabou se transformando numa festa entre amigos, um festim.

Pressionado pelas evidências de prática de crime eleitoral já amplamente denunciado pela oposição, a turma reinaldista foi mais comedida e ninguém se atreveu a fugir do figurino planejado minuciosamente para a ocasião. Ninguém se atreveu a entregar sacolinhas e/ou kits de qualquer coisa para algumas centenas de jovens e idosos, contratados na periferia e no interior para inchar a manifestação pró-Jackson Lago.

Exceto por uma ou outra faixa, colocada antecipadamente por assessores parlamentares de uns três deputados, e não haveria nada que indicasse que ali acontecia o lançamento de um candidato do governo. Mesmos entre algumas caravanas vindas da zona rural, as faixas estavam sempre recolhidas, enroladas para que não denotassem que havia propaganda antecipada, como foi flagrado em São José de Ribamar.

Dois pastores e um padre deram o tom da festa. Foi melancólico. O encontro que era para ser uma ruidosa manifestação por um candidato, teve o sabor e o clima de um encontro ecumênico. Foram apenas sermões, e não inflamados discursos o que se seguiu. Aliás, embora convidados para o lançamento da candidatura reinaldista, tanto os pastores evangélicos, quanto o reverendo católico não pediram votos nem fizeram qualquer indicação de inclinação pela candidatura do velho caudilho pedetista.

O discurso amorfo e insosso de Jackson foi lapidar. Sem qualquer emoção e com uma dicção prejudicada pela idade provecta, o ex-prefeito fez apenas uma lamuriosa e repetitiva cantilena contra "a oligarquia que há quarenta anos manda no Maranhão". Faltava-lhe convicção ao repetir o mesmo discurso que vem fazendo há mais de 30 anos. Afinal, parece que só ele e uns poucos aliados ainda continuam acreditando que isso lhe rende votos.

Mas, surpreendente, foi a confissão de culpa do seu líder e patrão, o governador José Reinaldo Tavares. Irritado por ter sido flagrado cometendo outro delito, desta feita eleitoral, o governador, que foi um fracasso como engenheiro e uma aberração como político e administrador, anunciou que vai estudar Direito para se defender dos muitos processos que hão de vir, por conta da incúria e de sua sede avassaladora em direção aos dutos de dinheiro do Maranhão.

É certo que, a exemplo do que fez durante toda a vida, vai ser um aluno medíocre e um causídico sofrível, isso se conseguir passar no exame de ordem da OAB. Mas, é certo, também, que jamais vai conseguir o canudo. O mais provável é que antes disso terá que ajustar contas com a Justiça do Maranhão e, sem a imunidade que o cargo hoje lhe garante, pode acabar atrás dos muros de uma penitenciária.

Lá, terá tempo de sobra para se penitenciar pelas suas traições, pelas alianças e pelos muitos crimes que vem cometendo no comando da administração pública estadual. Poderá, também, refletir sobre o festim de ontem e, medíocre que é, só então se dará conta de que, ao ver tamanha apatia do público no que era para ser uma festa e se transformou num festim, poderia ter mudado o seu destino, abandonando seu projeto de se tornar o timoneiro de um grupo de políticos que navega à deriva e que, com certeza, vai ver naufragar o seu projeto megalomaníaco de fazer do Maranhão o seu feudo.

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