Frente da Traição desprestigiada no lançamento da candidatura de Jackson
FIASCO
Principais prefeitos do Maranhão não compareceram do encontro no Lítero
Por: Gilberto Léda
Da editoria de Política
O PSB (Partido Socialista Brasileiro) realizou, ontem, o I Encontro de Desenvolvimento de Políticas Sociais, no salão de festas do Grêmio Lítero Recreativo Português. O evento - na verdade uma convenção maquiada para o pré-lançamento oficial da candidatura de Jackson Lago ao governo -, ficou marcada pela ausência de prefeitos de municípios com maior densidade eleitoral. Prefeitos ditos aliados do governador, como os de Caxias e Tuntum, sequer deram as caras no evento que, como era de se esperar, foi um verdadeiro fiasco.
Com a platéia inchada por políticos e lideranças sem expressão no estado, o encontro foi, antes, um palanque para o desabafo e lamentos de José Reinaldo.
Último a discursar, o governador aproveitou o momento para continuar levando à frente a versão de que a sua separação de Alexandra Miguel foi motivada por perseguição e ameaças de seqüestro às filhas do casal. "Ameaçaram minha família, minhas filhas", disse José Reinaldo, e nada mais além de um breve histórico distorcido do que foi a sua administração.
Diferentemente dos aliados - que pareciam bem orientados para não escorregaram nas palavras e dar margem a ações judiciais por conta de propaganda eleitoral antecipada -, o governador ainda deixou escapar: "Vou entregar o cargo de governador a Jackson Lago, no dia 1º de janeiro", num claro exemplo de ilícito eleitoral em favor daquele que José Reinaldo não cansava de chamar o “candidato da frente”.
O chefe do Executivo Estadual teve tempo, ainda, para denunciar a si mesmo. "Eu entreguei os hospitais do Estado nas mãos de políticos", informou, ratificando o que vem dizendo Veja Agora a muito tempo.
Discursos
Os outros frentistas também discursaram. Todos, contudo, sem conseguir empolgar os poucos presentes. Uma platéia apática viu Tadeu Palácio dar um verdadeiro show em cima do palanque; João Evangelista encenar entusiasmo; João Castelo esbarrar na falta de fôlego e Jackson Lago provocar sono aos ouvintes.
Nos discursos, algumas pérolas. O prefeito de São Luís confirmou a falta de união do grupo, reavivando as disputas que os líderes já travaram até as últimas eleições. "Jackson Lago já disputou com José Reinaldo o Governo do Estado; eu já disputei a presidência da nossa Câmara com João Evangelista", relembrou. E tentou concertar a gafe: "Mas todos nós agora estamos unidos".
Evasivo e na defensiva, o deputado federal João Castelo parece ainda não aceitar a idéia de sair candidato ao Senado. Em nenhum momento assumiu com ênfase sua candidatura. Limitou-se a responder aos chamados dos colegas quando era citado como candidato a senador pela frente.
Durante o discurso, foi econômico. Passou grande parte do tempo falando da sua passagem pelo Governo e apenas em um momento fez referência a sua presença na chapa majoritária concorrendo a uma vaga no Senado.
Ausências
Mais notadas que as presenças foram as ausências. O grande "trunfo" da frente de apoio a José Reinaldo é dizer que tem ao seu lado centenas de prefeituras apoiando o projeto de Jackson. No entanto, não mais que 40 prefeitos prestigiaram a convenção. E todos do baixo escalão.
Dos quinze maiores municípios, incluindo São Luís, apenas três ou quatro estiveram representados pelos seus administradores. As principais ausências entre os aliados reinaldistas foram Humberto Coutinho (Caxias) e Cleomar Tema (Tuntum). Ao que tudo indica os dois já dão mostras de que irão abandonar o barco.
Por outro lado, dos prefeitos que "apóiam" Jackson, muitos visitaram ou ligaram pessoalmente para a senadora Roseana, que estava em São Luís e atendeu a todos.
Depois do fiasco, ficou ainda mais latente a falta de coesão no grupo e a força que a oposição à dupla José Reinaldo-Jackson Lago possui no cenário político local.