O papa Bento XVI disse hoje que não há contradição entre a ciência e a fé, embora reconheça que a rapidez de alguns conhecimentos da razão possam “confundir” os fiéis.
O Pontífice fez estas considerações em um discurso dirigido aos membros da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício), órgão encarregado de vigiar a ortodoxia da religião católica.
Ratzinger, que foi prefeito regional desta Congregação até sua designação como papa, explicou que “a Igreja acolhe com alegria as autênticas conquistas do conhecimento humano e reconhece que a evangelização exige assumir os horizontes e os desafios que o saber moderno descobre”.
Acrescentou que “de fato os grandes progressos do saber científico aos quais assistimos no século passado, ajudaram a compreender melhor o mistério da criação”.
“Os progressos da ciência, no entanto, foram às vezes tão rápidos que fizeram com que fosse difícil reconhecer o modo em que são compatíveis com a verdade revelada por Deus sobre o homem e o mundo”, acrescentou Bento XVI.
Segundo Ratzinger, algumas afirmações do saber científico foram opostas a essa verdade.
“Isso pode ter provocado uma certa confusão nos fiéis e ter constituído também uma dificuldade para a proclamação e recepção do Evangelho”, indicou o Bispo de Roma.
Foi então que Ratzinger lembrou aos guardiães da fé e da ortodoxia católica que “é de vital importância” mostrar que não há “competitividade alguma entre a razão e a fé”.
E para Ratzinger, não se deve ter temor algum de “enfrentar esse desafio”.