Os indicadores financeiros (parece) voltaram a conspirar a favor do Brasil: o risco-Brasil, que mede a confiança dos investidores estrangeiros no país, despenca para o melhor nível de todos os tempos. Chegou a cair 13%, para 220 pontos. Quanto mais baixo, melhor porque ficam proporcionalmente menores os juros que os investidores pedem para apostar em papéis brasileiros.
Até o final da tarde de sexta-feira, a queda era de 10,15%, ainda uma variação atípica em apenas um dia. A pontuação está em 230 pontos. E isso depois de cair 6,5% na quinta. O Tesouro Nacional anunciou que vai recomprar até US$ 20 bilhões da dívida externa, alongando também o prazo dos papéis.
A onda positiva é restrita ao Brasil, embora o mercado como um todo esteja em boa fase, disse em entrevista ao UOL News o economista Paulo Vieira da Cunha.
Segundo ele, que é professor-visitante da Columbia University, além da recompra anunciada hoje, o Tesouro anunciou já ter recomprado US$ 2,3 bilhões desde o início do ano e tem concentrado suas compras na parte curta da curva, isto é, os papéis até 2010. "Estes papéis tiveram uma queda de preços muito violenta e estão hoje negociando quase 70 pontos apenas acima do Tesouro americano", afirma.
"Investiment grade"
No entanto, ele afirma, o país ainda poderá esperar até 5 anos pelo "investiment grade" anunciado pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci. "O grande desafio do Brasil continua sendo o lado fiscal. É claro que medidas de remanejamento da dívida e, particularmente, de liquidação do passivo externo líquido de maneira ativa tanto pelo BC quanto pelo Tesouro ajudam a reduzir a percepção de vulnerabilidade e risco do Brasil. Mas ainda estamos um pouco distantes", ressalva o economista, para quem as eleições presidenciais não representam risco ao país.