Por: Gilberto Léda
Da editoria de Política
O presidente do Sindicato de Professores de Buriticupu, Francisco Dias, e a professora Teresa Silva e Sousa estiveram em São Luís, sexta-feira (10), para anunciar que a categoria está em greve e denunciar o prefeito Antônio Marcos (PDT), que suprimiu da folha dos servidores em Educação na cidade reajuste de 2004.
Com a decisão, em Buriticupu os professores continuam recebendo salários de 2003. "O reajuste era de 14 por cento, mas o prefeito decidiu suprimir por que disse que foi eleitoreiro", informou Francisco Dias, explicando que o corte foi definido assim que o prefeito tomou posse, em janeiro de 2005.
Teresa Silva afirmou que a classe não concordou com a atitude, mas não foi ouvida pelo administrador. "Ele nunca quis nos receber para discutir a questão. Disse, por meio de aliados, que só senta com a gente [para negociar] na Justiça", ressaltou.
A justificativa de que o reajuste foi eleitoreiro não convenceu os professores, principalmente porque, em 2004, o aumento foi menor que no ano anterior, de 15,4 por cento. "Já tentamos diversas vezes abrir um diálogo com o prefeito, mas ele não nos recebe", assegura o presidente do Sindicato.
Os professores, então, continuam percebendo vencimentos de R$ 672,00 por mês, trabalhando sob uma jornada semanal de 40 horas. Segundo a resolução 03/97, do Conselho Nacional de Educação, as prefeituras devem pagar aos professores a média do que recebem por cada aluno matriculado.
Em Buriticupu, essa média é de R$ 627,00, referente a uma jornada semanal de apenas 20 horas. Ou seja, os professores do Município deveriam receber, no mínimo, R$ 1.254,00 pela jornada que cumprem.
Reação
Diante da indiferença de Antônio Marcos - a categoria tentou a primeira negociação no dia 9 de março do ano passado -, os professores decidiram, então, paralisar as atividades. "Já estamos até pensando em fazer uma festa de aniversário para o corte do reajuste, para ver se ele [o prefeito] lembra que já faz um ano que estamos nessa luta", ironizou a professora Teresa Silva.
Agora, o presidente do Sindicato busca apoio do Sinproesemma (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão) a fim de encontrar uma solução para o problema. "Após notificar que estávamos em greve, pedimos ajuda também ao Ministério Público", revelou Francisco Dias. Atualmente, 99 por cento da categoria está parada.