O PT deve entrar nesta terça-feira com ação na Justiça contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o presidente do partido, Ricardo Berzoini, FHC difamou e feriu a honra dos petistas com as declarações dadas em entrevista concedida à revista "Isto É" da semana passada.
Na entrevista, FHC criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acusou o atual governo de corrupção. "Eu nunca ouvi falar em tanta corrupção como neste governo. As massas de dinheiro envolvidas são muito altas. Assustadoras", disse na entrevista.
FHC disse ainda que a "corrupção se organizou e teve a chancela do partido do governo". "É um fenômeno novo. No governo Lula, a corrupção tem organicidade, foi arquitetada. É sistêmica", continuou.
Ao comentar a entrevista, Berzoini disse que ela demonstra o destempero das relações FHC-PT. Para ele, também causa surpresa FHC dizer que nunca viu um governo tão corrupto. Berzoini, ao defender o governo Lula, ressaltou que o presidente determinou a investigação de todas as denúncias e que nada foi provado contra o governo até o momento.
26 anos
Deixando de lado a proposta de 'refundação' e tentando colocar em segundo plano o escândalo do 'mensalão', o PT comemorou ontem seus 26 anos apostando o futuro no projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A nova direção do partido, eleita no fim do ano passado, conseguiu costurar com as correntes internas da legenda um pacto anticrise, que prevê congelar no momento o debate público sobre política de alianças - tema polêmico na sigla - e barrar iniciativas que envolvam críticas ou punição de petistas ligados ao escândalo.
Após oito meses da primeira entrevista do deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) à Folha, na qual ele acusou o PT de operar o "mensalão", só o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares recebeu punição: foi expulso da sigla.
"Para a proposição nova, o mais educativo para a militância é encararmos o que ocorreu [denúncias] como parte da história, mas em posição secundária em relação ao significado do PT para o país e para a esquerda", disse o atual tesoureiro petista, Paulo Ferreira.
Integrantes do grupo conhecido como Campo Majoritário, que perdeu a hegemonia após as eleições internas e do qual fazem parte os ex-dirigentes envolvidos com o "mensalão", voltaram a se articular, unindo-se a outras correntes que também vêem como prioridade a reeleição de Lula.
Outras correntes da esquerda petista, como a Democracia Socialista, tentarão forçar mudanças de rumos no programa para a sucessão. Querem ainda a realização de um seminário sobre política de alianças para o final de março.