O deputado cassado Roberto Jefferson quer retomar o controle formal do PTB. Sem alarde, ele protocolou no STF uma ação em que pede a anulação do processo que resultou na cassação do seu mandato. Interpretação do TSE sustenta que pessoas com os direitos políticos cassados não podem exercer a presidência de partidos.
"Se eu recuperar os direitos políticos, quero voltar a presidir o meu partido", contou Jefferson. Licenciado da presidência do PTB graças ao escândalo do mensalão, o ex-deputado ainda exerce forte influência sobre a executiva petebista, composta por ele.
Jefferson já havia recorrido ao STF. No entanto, retirou a ação, dando a impressão de que houvesse desistido do processo. Em dezembro, durante o recesso do Judiciário, ele voltou a apresentar o mesmo recurso ao Supremo.
O ex-deputado explica assim o vaivém: "Quando entrei pela primeira vez no Supremo, o recurso caiu na mão do ministro (Carlos) Veloso, que estava para se aposentar. Se eu mantivesse com ele, teria de esperar pelo substituto dele. E o processo só seria redistribuído lá para junho. Por isso retirei. Depois, entrei de novo. Agora o processo caiu na mão do ministro (Cezar) Peluso. Vai andar mais rápido."
De fato, Peluso já requisitou informações ao Congresso para instruir o processo de Jefferson. Obteve repo
Jefferson tem pressa. Espera que a decisão de Peluso saia até março. Jura que não deseja reassumir a cadeira na Câmara: "Se vencer no Supremo, vou ao plenário agradeço e renuncio. Rompi com a Casa e a Casa rompeu comigo. Não quero impor a minha presença a ninguém nem quero conviver com certas pessoas."
"Não volto para o Congresso nem morto. Naquele dia a dia de Câmara, sob essa patrulha intensa, você ganha dez mil réis de salário e passa por vagabundo nacional. Não quero mais isso”, diz.
No recurso ao STF Jefferson argumenta que teve o seu direito de defesa cerceado.