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Ano de grandes discussões


Data de Publicação: 16 de fevereiro de 2006
 
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A reabertura da Assembléia Legislativa, ontem, ocorreu num clima morno. Quem via a confraternização entre roseanistas e reinaldistas se saudando depois de dois meses distantes nem sequer podia imaginar que atrás de tanta "fraternidade" se desenha um ano dos mais ferrenhos na Assembléia Legislativa.

E será um ano atípico. A maioria governista na Assembléia vai tentar, ainda que sem muita convicção, defender o governo de José Reinaldo da dura fiscalização do Bloco Parlamentar de Oposição de Verdade, composto por parlamentares aliados da senadora Roseana, que lidera todas as pesquisas de opinião contra o candidato reinaldista Jackson Lago.

Esperam-se duros embates no plenário. Mas não por conta dos atuais "ativistas" do grupo do governador. É quase certo que à medida que o tempo for passando e for se aproximando o dia da eleição e as pesquisas continuarem mostrando a tendência majoritária do eleitorado de votar em Roseana, os atuais defensores da aliança governistas irão, aos poucos, recolhendo suas armas, já se preparando para o que vier no próximo ano.

Ocuparão o lugar deles os antigos adversários, que apostaram todas as suas fichas numa aliança que a todos parece fadada ao insucesso e que, mais tarde, farão um esforço desesperado de ganhar a mídia para salvar seus mandatos. Por isso, no lugar dos hoje eufóricos Carlos Braide, Wilson Carvalho e João Evangelista, retornem ao palco velhos atores, como Domingos Dutra, Aderson Lago e Rubem Brito, que, já com suas candidaturas à reeleição totalmente comprometidas pela aposta suicida que fizeram, buscarão o espaço que já está ocupado por novos tucanos e pedetistas que souberam, espertamente, se aproximar de José Reinaldo.

O deputado João Evangelista, por exemplo, que chegou a sonhar em ser o candidato da aliança governista, hoje trabalha diuturnamente para se reeleger. E sonha em voltar a presidir o legislativo estadual. Para isso, faz um esforço enorme para criar um chapão que, supostamente, daria maioria a um grupo de parlamentares que o reconduziriam. Tem o cofre da Assembléia na mão e já o vem usando às escâncaras para cabalar votos.

Talvez eleja dois a três deputados financiando suas campanhas. Não mais. O chapão que ele quer, vai se resumir a isso no plano eleitoral. Mas vai, com certeza, disseminar inveja, intriga e muita confusão. Quem não estiver na lista do chapão vai trabalhar contra ela e pode ser mais um soldado a desertar quando as coisas começarem a clarear.

O caso mais grave de risco de recondução reside exatamente no partido do candidato que vaio concorrer com Roseana. O PDT de Jackson Lago, que tinha seis deputados ganhou mais nove. Nenhum deles identifica-se com o grupo histórico do partido e, por isso, comprometem a reeleição de deputados como Julião Amim, Rubem Brito, Mauro Bezerra, Luiz Pedro e Graça Paz, que foram eleitos no último pleito num grupo que lutou contra José Reinaldo.

Os que chegaram ameaçam suas candidaturas porque tem o compromisso do governador de apoiar suas candidaturas financeiramente e colocando a máquina do estado trabalhando a seu favor. Os históricos, que não contam com a simpatia da ala do PDT do prefeito Tadeu Palácio, ficarão com as migalhas. Vai lhes restar a tribuna para buscar os holofotes da imprensa e tentar tirar a corda do pescoço. Como se vê, será um ano difícil para turma que hoje está sob o guarda-chuva do governo.

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