(Lítero, 11/02/06) - O palco fica repleto daqueles que querem do povo o que o povo nunca lhes dá. O povo sempre analisa, pensa, calcula as intenções, vê o passado de cada um e acaba ficando mesmo é com quem lhe inspira confiança. O povo gosta de lealdade, transparência, obras, empregos e confiança. O povo detesta traição, fraqueza, preguiça, armações, estrada fantasma, escola parada, perseguição e ódio.
Dos que subiram ao palco, havia quem nunca nem se cumprimentou (só se atacou), mas que agora até se beija. Haroldo Sabóia com Castelo, Castelo com Amim, Amim com Raimundo Marques, Marques com Wagner Lago, Lago com Lourenço, Lourenço com Aziz, Aziz com Brandão, Brandão com Aderson, Aderson com Marcelo Tavares, Marcelo com Tadeu, Tadeu com Jaime, Jaime com Jackson e todos com Zé Reinaldo. Com Madeira, Terezinha, Jomar, Rubens Pereira, Braide, Dutra, Giovane Castro (que já mandou prender Erionaldson por crime de chantagem), Erionaldson (puxando palmas dos poucos que sobraram para a platéia) e outros mais, numa mistura estranha, que não dá liga e que não traduz sinceridade de propósitos nem aos mais desconhecedores da alma e dos desejos de cada um deles.
Aderson tem um jornal que parou de circular porque as matérias dele eram sempre a mesma: pancada no José Reinaldo e na dona Alexandra Miguel, cruz do governador. Contava até os camarões que eram comprados para a culinária dos Leões; dos milhões que se gastavam nas farras leoninas e a na propaganda enganosa do governo que, para ele, não governava e que, agora, mesmo sem melhorar em nada, passou a ser um dos melhores do mundo. Amim, a mando de Jackson, dizia horrores, da tribuna da Rua do Egito, sobre a Dama do Gama. E Haroldo Sabóia foi embora para a Europa para nem sentir o cheiro dos procedimentos que hoje ele aplaude. Isso tudo não foi no século passado, não. Foi do ano passado para trás.
Falsos uns com os outros, teatrais diante do povo, mentirosos, mitomaníacos e apoiados por jornais que, igualmente, falseiam a verdade. Desinteligentes, quando publicam que 154 prefeitos estiveram lá e não os relacionam, correndo o risco da desmoralização, como ocorreu com Jackson, há quatro anos, quando prestou contas de sua administração publicando desenho de obras, querendo iludir e deixando transparecer que as mesmas estavam prontas.
José Reinaldo, tocado pelo ódio da mulher, juntou-se a eles, rasgando a própria biografia. Discursa como se fosse um outro e não aquele que desde os 23 anos de idade integrou, por 40 anos, o grupo que ele agora ataca. Diz que vai ficar no governo para fazer a máquina funcionar em favor dos seus novos "amigos". E quando tudo isso passar, vai se ver na rua da amargura. Não vai ter jeito que dê jeito.
Traidor pelo resto da vida, vai ser visto assim até pelos que dele hoje se aproveitam. "Traiu quem lhe abrigou por 40 anos, não trairia a gente, que está do lado dele só há 6 meses!" - calculam. E quando tudo isso se consumar, se um dia de lucidez lhe sobrar, vai ser nesse dia que ele vai ter vergonha até do espelho.
Esse é o castigo, destino dos traidores.