Não durou uma semana. Aliás, durou apenas 6 dias a alegria do ex-prefeito Jackson Lago de ter seu nome lançado ao Governo do Estado no Lítero, sexta-feira retrasada. Antes mesmo que ele tivesse tempo de começar a elaborar um programa de campanha, Jackson se vê novamente apunhalado pelas costas por um homem a quem ele se ligou apenas para satisfazer uma ambição pessoal.
Não foi falta de aviso. Muitas vezes Veja Agora o avisou que a traição de José Reinaldo aconteceria mais dia, menos dia. Era só uma questão de tempo. O ex-prefeito, premido por uma obsessiva compulsão de chegar ao governo, aceitou fazer o jogo do governador e arriscou tudo. Agora, José Reinaldo faz o que todo mundo sabia: o trai!
E não porque tenha sido Jackson quem primeiro o levou às barras da Justiça, mas porque trair é de sua índole, de sua natureza e de seu caráter. A trajetória de vida de José Reinaldo sempre esteve umbilicalmente ligada a José Sarney, que desde os 23 anos do atual governador lhe deu emprego, notoriedade e proteção. Ainda assim José Reinaldo o traiu da forma mais vil.
Apagou todos os 40 anos de lealdade canina a um homem que o projetou para se transmudar para o lado dos que combateram o próprio Sarney e ele mesmo a vida toda. E o fez sem o menor rubor de vergonha ou sinal de arrependimento. Traiu por trair, simplesmente!
Está nas veias de José Reinaldo o vírus da traição que Jackson, um dia, também encontrou nas veias da sua sucessora, a ex-prefeita Conceição Andrade. Não há antídoto para isso. Quando se traz no caráter o gene da traição, para sempre ele permanecerá.
O PDT grita, estrebucha e dá mostras de inconformismo com a nova situação. Mas, colocado diante da realidade de que foi usado de forma consciente para que o governador atingisse seus mais torpes objetivos de agredir a senadora Roseana, vai acabar silenciando, porque assim lhe será conveniente.
A candidatura de Vidigal, estimulada desde sempre pelo governador, sequer é uma realidade. E pode até nunca vir a acontecer. Para ele há muito mais em jogo do que uma aventura eleitoreira de resultados imprevisíveis para seu futuro na magistratura. Mas é suficiente para mostrar do que José Reinaldo é capaz. Ao abrir as portas de seu partido e afirmar publicamente, num programa de TV, que sua aliança corre grave risco de perder feio se for às urnas apenas com Jackson Lago como candidato, revela que ele jamais acreditou na parceria com o velho caudilho brizolista. Para Jackson e sua meia dúzia de deputados fiéis, isso pode até parecer surpreendente, mas não o é para a esmagadora maioria de maranhenses que repudiaram com veemência a traição do governador ao senador José Sarney.
Nenhuma explicação que os acólitos do governo e da tal Frente de Libertação do Maranhão buscarem dar aos seus eleitores não será suficiente para proteger o seu candidato de uma nova traição.
Resta ao ex-prefeito traçar uma nova trajetória que impeça o governador de dar continuidade à sua sanha traidora. Se não o fizer e aceitar calado que o governador continue a desmoralizá-lo, a carreira política de Jackson estará irremediavelmente sepultada numa fossa rasa. E de forma melancólica.
Ao governador, restará cumprir sua triste sina de traidor. Ad eternum.