CRIME ELEITORAL
Ô, lê lê; ô lá lá, Jackson vem aí e o Maranhão vai melhorar". O locutor oficial do evento cantava esse refrão entre um discurso e outro. O anunciado encontro para discutir políticas de desenvolvimento foi 100 por cento comício de lançamento das candidaturas de Jackson Lago (PDT) para governador e de João Castelo (PSDB) para senador. O próprio governador José Reinaldo Tavares chamou o acontecimento de "convenção partidária" e os oradores falaram de "vitória em outubro", "arrancada rumo às eleições" e "Jackson como continuidade de José Reinaldo". Castelo pediu aos presentes que não o abandonem e Jackson Lago prometeu aos prefeitos que vai governar repassando dinheiro para eles. Tudo isso com transmissão ao vivo por duas emissoras de rádio AM, Educadora e Capital.
Para o advogado do Partido Trabalhista Nacional (PTN), Marcos Coutinho Lobo, os "frentistas" se mostram muito à vontade depois que fizeram dois comícios fora de época em São José de Ribamar, com distribuição de sacolinhas e outros brindes, sem serem punidos pela Justiça. "Dão a impressão de que já não acreditam na ação do Ministério Público Eleitoral ou de que se sentem simpatizados pelos promotores. A impunidade é mãe da delinqüência repetida. Eles começaram lá em Ribamar, e já estão aqui na capital, cometendo o mesmo crime" - observou.
Jackson nervoso
O evento foi no dia 11 deste mês, no Grêmio Lítero Recreativo Português. Só tiveram acesso cinegrafistas da Secretaria de Comunicação do Estado, da TVT, de Evilson Almeida, e da TV Difusora. Ontem, uma cópia das filmagens circulou nos meios jornalísticos. Pode-se ver o nervosismo de Jackson Lago quando discursou: ele trocou "Frente de Libertação" por "Frente Ética"; só cumprimentou Conceição Andrade depois de ser lembrado por Tadeu Palácio; e deixou João Castelo 20 segundos com a mão estendida à espera de um cumprimento. Quis demonstrar que tem um plano de governo, mas acabou repetindo o discurso de 2002, falando em "consórcio da produção", "orçamento participativo" e "feira do pequeno produtor".
O discurso do governador José Reinaldo foi direto à questão da eleição. "Terei o orgulho de transmitir o governo para Jackson em 31 de dezembro". Disse ainda que "unidos, venceremos em outubro". João Castelo disse que não tem dinheiro, mas tem voto e, por duas vezes, pediu que não seja abandonado. O deputado Sebastião Madeira disse que Jackson é "um sujeito de respeito" e que Castelo, vai ser senador "por uma questão de justiça".
Rádio de Roberto Rocha
Uma das emissoras de rádio que transmitiam o comício é do ex-deputado federal Roberto Rocha. Rocha teve o seu discurso repassado na íntegra e ao vivo para todo o Maranhão. Ele disse que "hoje, Alexandra é o ponto de convergência de todas as oposições. Ela é jovem que nem eu e tem um grito engasgado na garganta" - a ex-mulher do governador não estava no Lítero. O prefeito Tadeu Palácio, de gargantilha e camisa desabotoada até o peito, disse que Jackson terá a responsabilidade de dar continuidade ao governo de José Reinaldo Tavares. Domingos Dutra disse que o PT que está na campanha "é o PT do Dutra, do Jomar, da Teresinha e Márcio Jerry". Para a perplexidade de todos, ele observou que "se nós perdermos essa eleição o Zé Reinaldo vai ter que ir para o exílio". Já o governador disse que tem uma solução menos traumática: "vou me formar em direito para me defender dos processos".
Representação
O advogado do PTN disse que vai representar na semana que vem contra os partidos e os políticos que fizeram o comício e pediram votos no Lítero em pleno mês de fevereiro. "Não foi por acaso que duas emissoras de rádio tiraram o caráter de ambiente fechado do evento. Educadora e Capital são claramente posicionadas como veículos de divulgação das ações da chamada Frente. Partidos e emissoras terão que ser punidos e os políticos que cometeram o crime terão também que pagar multa e perderem direitos políticos por 3 anos" - finalizou.