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João Paulo Quase 200 de história para contar


Data de Publicação: 19 de fevereiro de 2006
 
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Um coroa tão antigo quanto à própria cidade de São Luís, o bairro do João Paulo clama pela atenção da prefeitura para não ficar entregue às mãos dos vândalos que intimidam e amedrontam seus moradores. Muitos deles, tão antigos e fiéis ao bairro, permanecem no local pelo seu valor sentimental, apesar do abandono. "Eu gosto e não tenho a menor vontade de sair daqui apesar de tudo!", afirmou Lenita Abreu, 71 anos, comerciante.

A moradora relembra que se mudou para o João Paulo em 1996, quando comprou a casa onde reside até hoje. Naquela época, conta, o bairro era só mato e as ruas não eram asfaltadas. Quando chovia, as casas eram invadidas pela água. Esse problema ainda perdurou por muito tempo até quando Roseana Sarney foi governadora e construiu o Viva João Paulo, quando tudo melhorou, na opinião da moradora. Atualmente, no entanto, o Viva está entregue ao abandono, como quase todo o bairro.

Localizado entre o Centro, o Caratatiua, o Coroado e o Filipinho, o bairro comercialmente é independente de todos eles. Farmácia, supermercado, feira e muitos colégios particulares demonstram o valor econômico do local. Quem não parece valorizar tudo isso é o prefeito Tadeu Palácio.

Avenida João Pessoa

A avenida principal, a João Pessoa é o "terror" de qualquer motorista. Engarrafamento, buracos e ondulações, sem falar na falta de um projeto para organizar o trânsito nos horários de pico são apenas alguns dos problemas.

Para os pedestres, os problemas estão nas calçadas e canteiro central quebrados, falta de abrigos nos pontos de ônibus, faixas de pedestres apagadas e muitos comerciantes nas calçadas são os principais obstáculos que os transeuntes enfrentam. A vigilante Ana Rita Machado disse que o descaso do prefeito com a população é um absurdo. Ela reclama da falta de abrigos nas paradas, o que faz com que as pessoas fiquem expostas. "Quando não é sol, é chuva".

A garçonete Flor de Lys Cardoso da Silva, 37, concorda. "Isso está errado. O prefeito tem que mandar fazer abrigo. Quando a chuva vem, a gente se molha toda. Muita gente pega ônibus aqui", afirma.

Próximo à feira, a maior reclamação é porque os feirantes montam suas bancas nas calçadas e obrigam a população a caminhar pela beira das calçadas disputando, ainda, com carrinhos de mão e outros banqueiros que se deslocam de um lado para outro com suas mercadorias até decidirem o lugar aonde vão se estabelecer.

Ruas

Nas ruas que tiveram a oportunidade de receber asfalto, o material está gasto e os buracos e as ondulações tomam conta das mesmas. Em alguns pontos mais movimentados, como a rua em frente a uma escola particular na Avenida João Pessoa, os comerciantes colocaram piçarra para amenizar a cratera que se formou com o acúmulo de água de esgoto.

Outra rua problemática é a que dá acesso à Rua da Felicidade, transversal da Rua Tupinambá. Até os pedaços de pinche são entulhos trazidos por caminhões para conter os buracos do local, informou o aposentado Patrício Rodrigues, 86 anos.

A Rua Projetada, paralela ao mercado, vira um rio quando chove. Nas sarjetas, a correnteza é tão forte que crianças brincam, correndo o risco de adquirir doenças. Henrique Vieira, serviços gerais, diz que toda vez que chove fica na porta varrendo a vala para não acumular o lixo que desce da feira. "Se não for assim, depois entope", disse.

Problema para quem mora mais abaixo no Coroado, próximo a uma vala. Toda essa água desce e a vala transborda. Miquéias de Jesus Viana Coelho, estudante, contou que a vala é um risco para quem mora no local. Segundo ele, um rapaz morreu depois que teve um ataque epilético e caiu no esgoto. "Ele morreu afogado e mesmo assim ninguém veio cobrir a vala", reclamou.

O "Viva"

Construído na Avenida José Sarney, antiga Estrada da Vitória, para entreter os moradores locais, do Viva do João Paulo sobrou apenas um quiosque depredado, muita sujeira, calçamento quebrado e ausência de segurança. Passear à noite pelo local é ficar exposto à ação das gangues. "Ninguém aqui tem segurança, a gente não pode trazer nossas famílias para passear, não pode dar uma volta por aqui de noite, tem muita gangue agindo", comentou José Gomes, 41 anos.

O serviço não ficou apenas na construção da área de lazer, mas na pavimentação das ruas ao redor, porém nenhum prefeito tomou de conta do lugar que agora se encontra abandonado. Com o descaso do local, os vândalos quebraram o box de lanches.

O quiosque, que deveria servir lanches e gerar empregos, está sujo e cheira mal. A cobertura não existe mais, os azulejos e a pia da bancada de granito foram roubados. Sobraram apenas as paredes com pichações.

A feira

Os dois quarteirões mais tumultuados do bairro que ficaram conhecidos como a feira do João Paulo, são, na verdade, comércios que foram se agregando e ocupando todo o lugar. O mercado, onde ainda persistem alguns feirantes, de acordo com Rita Ferreira Torres, uma das mais antigas no local, está abandonado.

O primeiro ponto onde a feira funcionou era no João Paulo "velho", como classificou Rita, isso em 1955. Depois, construíram o mercado onde estão hoje, mas nenhum governante cuidou e os feirantes estão preferindo montar suas bancas na avenida, já que lá vendem melhor.

São vários boxes e bancas vazios. Os feirantes que ficaram estão reformando cada qual o seu estabelecimento, sem esperar pela administração atual da feira, que segundo eles não faz nada. Esterlita Gomes, que estava cuidando da banca para sua mãe, reclamou que o movimento baixo piorou com a saída dos comerciantes para a avenida. "Eles vendem lá fora e mais barato, ninguém vem comprar aqui dentro", queixou-se.

Em boa parte da feira, o telhado está comprometido. Rita se incomoda com as goteiras quando chove. Outros feirantes sofrem mais porque nem as calhas comportam tanta água. É até hilário dentro de um mercado encontrar os clientes transitando com sombrinhas e guarda-chuvas para não se molharem. Nas partes mais baixas, a falta de um sistema de esgoto e drenagem eficiente faz com que o alagamento seja maior.

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