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A novela mexicana


Data de Publicação: 19 de fevereiro de 2006
 
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Cantador: Zé Fogoió

A Frente da Traição
Inova toda semana
Frente às luzes da ribalta
Pensa que ao povo engana
Inventaram de estrelar
Uma novela americana



Os artistas conhecidos
Decadentes de papel
Reuniram num só ato
A corte de Zé Noel
Com ele formando par
A sua Xandra Miguel

O ato começa com
Uma injúria a Santo Antonio
Zé Noel é obrigado
Acabar com o matrimônio
Por obra de marqueteiro
Batizado por demônio

Por não se dá satisfeito
E mostrar-se pra que veio
O conselheiro do Zé
O escalou num papel feio
Além de perder a mulher
Botar as filhas no meio

E no primeiro capítulo
Com um toque de maestro
A orquestra desafina
Toma o sinal como sestro
E ao abrir as cortinas
Inventa logo um seqüestro

Diz Noel numa entrevista
Como um pulha disfarçado
Que devido às ameaças
Agora tá separado
"Ah! Que dor no coração
Pra quem sempre foi amado!"

Da platéia, a Frente toda
Extasiada contemplava
- Será que é pra bater palma?
Uma barata perguntava
E outra mais puxa-saco
Do palco se aproximava
Beijando a mão de Noel
Tirava o lenço e chorava

Uma barata sorenta
Daquelas que vive ao Lago
De tanto mexer o rabo
O baratão fez estrago
Agora tá sem antena
A procura de afago
Se aproxima a Zé Noel
E tome a coçar-lhe o bago

Foi discurso, foi manchete
Foi pilhéria de jornais
Uns diziam é pra valer
Outros viam muito mais:
O que a paixão de um homem
Metido a besta é capaz

Mas Zé capeta danado
Que não acredita em milagre
Disse: anzol de peixe grande
Nunca pode pegar bagre
Vendo a salada sem gosto
Pois um pouco de vinagre:

De armação diabólica
Dá-se o nome desse drama
É mais um casal com cólica
Sujando a cocha da cama
Com dramalhão de segunda
Querendo alcançar a fama

É coisa de marqueteiro
Que mata um leão por dia
E pra não perder o dinheiro
Sopra a chama da alegria
Pros velhinhos sufocados
Não morrerem de agonia

A platéia delirava
Gente de pouco siso
Nego mais experiente
Foi pro canto e tome riso
Esse casal vende a alma
Pro diabo se preciso
Tão zombando dos fantasmas
Que deixam o povo mais liso

De repente no aeroporto
Começa o segundo ato
E pra seu melhor conforto
Foi trocando de sapato
De biquíni caminhando
Pés descalços pela areia
Eu também fiquei pensando
Será que virou sereia

E toda desengonçada
A solteirinha do Gama
Desfilava acompanhada
De gente de menos fama
Com ar todo sorridente
De quase ex-primeira dama
Afundava os pés n'areia
Mas só encontrava lama

De lá pro hotel de São Marcos
A casa de veraneio
Foi chegando sem bagagem
E mostrando pra que veio
Pra curiosos presentes
Deu aquela de agá
E cantou a musiquinha
Tu pra lá e eu pra cá

Eu só vim passar cargo
Pra pessoa que indiquei
E não aceito embargo
Nem de frade nem de frei
E mandou o secretário
Bater o ato de Clay

Nessa hora, um velho broco
Maracujá de vintém
Gritou assim todo eufórico
- Minha líder! Muito bem!
Como já sou da família
E nela tô tão feliz
Você manda de Brasília
E a Clay de São Luís

Ouve um trovão de risada
Pela novela enfadonha
Uns diziam: Isso é piada
Pra quem acredita em cegonha
E o povo em peso exclamava
"pra quem não tem mais vergonha"

Podem notar que a novela
Não tem o ato final
Pra quem tem ódio no peito
Só pensa fazer o mal
A nossa rosa floresce
Do povo como uma flor
Quem ama na vida cresce
No querer do próprio amor

Eu Fogoió, recebi
Ontem uma procuração
Que Fogaréu me mandou
E já ta em minha mão
Afinal de contas, meu
O que esse deputado quer
Compra um espanador de pena
Das mais lindas que tiver
E vá lá pra Rua Grande
Desfilar de marcha a ré

Tem Lago que virou poça
Ta com inveja da maré
Só serve pra sujar moça
Do carro, se passa a pé
Fogaréu, lá de Paris
Esnobando de chalé
Mandou um abraço apertado
Pro Jairzinho e Migué

Eu também vou viajar
Me despeço por aqui
Mas volto do Crato logo
Que a novela prosseguir
Morar defronte eu já vi
Da mulher que se largou
Mas essa de vai e vem
É casal bala iôiô

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