MAR DE LAMA
Mais de 3 mil pessoas continuam desaparecidas após o deslizamento de terra ocorrido nas Filipinas nesta sexta-feira e que sepultou a aldeia de Guinsaugon, no sul da ilha de Leyte, informaram fontes oficiais neste sábado.
O balanço anterior, divulgado pelo chefe da Cruz Vermelha no país, falava de 1.700 desaparecidos. Há relatos não confirmados de que ao menos 200 moradores do vilarejo podem ter morrido. Maria Lim, prefeita de um povoado vizinho a Guinsaugon, Saint Bernard, e Roger Mercado, legislador que representa o distrito afetado na Câmara, disseram que o número de desaparecidos chega a 3 mil. Até o momento, foram encontrados apenas 19 corpos, e 57 pessoas foram resgatadas com vida, de acordo com as mesmas fontes.
Os Estados Unidos estão dando ajuda imediata às Filipinas. Dois navios militares já chegaram no local, informou a Casa Branca. Já as Nações Unidas irão eviar uma equipe de avaliação e coordenação às Filipinas.
Papa Bento XVI pediu uma ajuda “rápida e generosa” aos sobreviventes da catástrofe de hoje, e enviou condolências ao arcebispo da diocese filipina de Maasin, monsenhor Cantillas. O governo filipino não fez nenhum pedido de ajuda internacional.
Segundo o diretor do Centro de Vulcanologia do país, René Solidum, um terremoto de 2,6 graus na escala Richter afetou o sul da ilha às 10h36 locais, minutos antes do deslizamento de terra.
No entanto, ele disse não acreditar que o tremor de pouca intensidade tenha sido potente o bastante para provocar, sozinho, o deslizamento de terra. Apontou as chuvas torrenciais que afetam a região como principal causa da tragédia.
“A zona era propícia para um deslizamento por causa das chuvas e o leve tremor pode ter acelerado as coisas”, disse Solidum. A governadora de Leyte, Rosete Larias, disse que a aldeia foi totalmente arrasada.
Ela explicou que vários habitantes evacuados da região depois da morte de 20 pessoas em outro deslizamento de terra no início da semana haviam retornado para casa nesta sexta-feira por causa do sol.
A lama que cobriu a aldeia ainda está muito mole, o que não permite a entrada de equipamento pesado para tentar resgatar os eventuais sobreviventes, explicou Larias.
Em pronunciamento à nação, a presidente Gloria Arroyo afirmou que equipes de resgate foram enviadas imediatamente ao local por “ar, terra e mar” para enfrentar esta catástrofe.
“Ordenei à guarda-costeira e a toda nossa força naval na região de Visayas (centro das Filipinas) que se dirijam à região”, disse.
“Os navios da Marinha serão utilizados como hospitais flutuantes e centros de comando para ajuda e resgate”, acrescentou. Funcionários da Defesa Civil explicaram que, até o momento, foram resgatados apenas quatro corpos. Ainda não é possível saber com precisão o número de vítimas da tragédia porque o acesso ao povoado é difícil.
Gordon disse que a Cruz Vermelha pretende enviar cães treinados para buscar sobreviventes. A rádio governamental afirmou que 45 pessoas foram resgatadas.
Testemunhas declararam que poucas casas permaneceram de pé entre as 375 que existiam no povoado antes da avalanche, em uma montanha vizinha. Vários helicópteros tentavam chegar ao local, mas espessas nuvens dificultavam o vôo.