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Uma solução imoral


Data de Publicação: 2 de fevereiro de 2006
 
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O advogado Ulisses César Martins de Sousa ficou famoso por ter sido um dos muitos professores de Alexandra Miguel Tavares durante sua fase de transição de aeromoça para advogada. Ficaram tão íntimos que passou a freqüentar o Palácio dos Leões. Logo foi "convencido" a defender o marido dela, o governador José Reinaldo, nos muitos processos a que ele responde na justiça do Maranhão, e, inclusive, um em Porto Alegre, de onde foi expedido um pedido de prisão para o chefe do Executivo por não pagar a pensão alimentícia a um filho.

Ele foi o advogado do governador na ação de divórcio do governador com sua primeira esposa, Clenir Tavares. Sua aproximação com o governo pode ter lhe rendido alguns frutos extras além dos caros honorários cobrados por bancas advocatícias nesses tipos de processos. Um deles foi um contrato, sem licitação, firmado entre o Departamento Estadual de Trânsito e o escritório Ulisses Sousa Advogados Associados, que mantém com alguns dos mais influentes membros do atual grupo que comanda a secção regional da Ordem dos Advogados do Brasil.

Por causa disso, o professor amigo de Alexandra e advogado particular do governador teve instaurado contra si um processo civil pela promotora de Justiça Eliane da Costa Ribeiro Azor, Titular da 8ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa da Probidade Administrativa e do Patrimônio Público de São Luís. Ela acatou a representação feita, ainda em 2004, denunciando o contrato sem licitação entre o órgão de trânsito de nosso estado e o homem indicado por José Reinaldo para ser o futuro procurador geral do estado.

Uma fonte fidedigna garante que, a mando de José Reinaldo, o seu advogado para assuntos sentimentais estaria montando um escritório com a intenção única e exclusiva de processar Veja Agora, com o intuito de tentar calar este matutino durante a campanha eleitoral deste ano. Agora, além de se preocupar com Veja Agora, o ex-mestre da atriz do Gama vai ter que se preocupar com sua própria pele. É que, também, as denúncias de contratos ilegais estariam partindo de outros órgãos públicos, onde o governador teria supostamente mandado que fossem assinados contratos de prestação de serviços entre o seu defensor e esses órgãos.

É claro que a indicação de Ulisses Sousa para o cargo antes ocupado por Raimundo Marques é apenas o pagamento de uma (ou várias) dívida(s) de José Reinaldo a um profissional a quem ele se socorreu em momentos difíceis de sua conturbada vida pública e até na privada. Mas mostra, por outro lado, que a administração pública vem sendo tratada de forma imoral pelo governador.

Resta o consolo de que os procuradores de carreira do estado deverão se sublevar e impedir que se consume mais esse ato indecoroso contra a instituição. Afinal, é inadmissível que o mais alto cargo de uma das mais corretas instituições públicas venha a ser ocupado por um homem que, valendo-se de suas relações pessoais com o governador e a mulher dele, tenha firmado contratos lesivos ao erário e que, por isso, esteja sendo investigado por improbidade.

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