Depois de 22 anos e 11 mandatos, o cronista Jomar Moraes deixará a presidência da Academia Maranhense de Letras, devendo assumir em seu lugar o escritor Joaquim Itapary. Jomar se despedirá do cargo hoje, em solenidade que acontecerá na sede da AML, às 20h.
Ocupante da cadeira nº 10 da AML, que tem como patrono Antônio Henriques Leal, Jomar Moraes dedicou sua vida à literatura. Ajudou a enriquecer a cultura maranhense com seus livros Guia de São Luís, O Físico e o Sítio, Graça Aranha, Vida e Obra de Antônio Lobo, entre outros títulos que ajudam a contar um pouco da história de São Luís, sua grande paixão. Toda essa contribuição ajudou na indicação que recebeu, em 1983, para assumir a presidência da AML, da qual é membro desde 1969.
Jomar deixa o cargo certo que o que fez pela AML ajudou a consolidar a imagem da instituição. "A Academia é uma obra em construção, ninguém chegará ao fim. Fiz o que me cabia fazer. Deixo o cargo com a consciência de ter feito o que foi possível. Já fui eleito por 11 mandatos e achei que era hora de dar oportunidade para que outros companheiros continuassem o trabalho", afirma.
Foram 22 anos incansáveis à frente da AML e que deixaram grandes contribuições. Segundo o escritor, uma de suas maiores alegrias foi a reforma total do prédio da rua da Paz, iniciada logo após a sua posse em 1984. "Logo que assumi a presidência, percebi que as instalações da Casa estavam comprometidas, uma situação precária. Foram quase dois anos de construção. Somente as paredes ficaram de pé, tivemos que tirar até o telhado", conta.
Nessa época, as sessões eram realizadas na casa de alguns membros da AML, como a falecida Dagmar Desterro. As posses de novos imortais eram realizadas em espaços emprestados. "A entrega do prédio, totalmente reformado, foi uma das maiores alegrias que tive como presidente. Acho que ousei quando fiz essa reforma, mas sinto-me orgulhoso por isso", diz, satisfeito.