Por 11 votos a 3, o Conselho de Ética da Câmara aprovou ontem o relatório que recomenda a cassação do deputado Pedro Corrêa (PP-PE). O relator Carlos Sampaio (PSDB-SP) pediu a cassação do mandato de Corrêa, acusado de ter recebido dinheiro do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, suposto operador do "mensalão".
O dinheiro, segundo Corrêa, que também é presidente do PP, foi utilizado para pagar o advogado de defesa do ex-deputado Ronivon Santiago (AC).
O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), relator do processo, rebateu a defesa, afirmando que, apesar de a doação de R$ 700 mil do PT ter sido usada para o pagamento de despesas do partido, o dinheiro deveria ter sido contabilizado.
A votação, prevista para a terça, foi adiada para quarta devido à ordem do dia.
Os votos contrários ao parecer vieram dos deputados Benedito de Lira (PP-AL), Sandes Júnior (PP-GO) e José Carlos Araújo (PL-BA). Os demais parlamentares defenderam o pedido de cassação.
Para o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), membro do Conselho, o caso de Corrêa sintetiza todo o escândalo do "mensalão". Segundo ele, só o fato de os recursos não terem sido contabilizados pelo PP representa uma confissão de culpa. "O acordo é espúrio, porque não tem nenhuma motivação a não ser manter o apoio do PP à base do governo. Se o dinheiro fosse legal, porque não teria sido contabilizado?", disse Alencar.