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E depois reclamam...


Data de Publicação: 21 de fevereiro de 2006
 
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Desde a última sexta-feira Veja Agora vem denunciando o que pode ser mais um dos escabrosos esquemas do governador José Reinaldo e de seus comandados. O convênio de R$ 7,5 milhões entre a Secretaria de Cultura do Estado, de Francisco Padilha, e a Comissão Maranhense de Folclore, presidida por Evânia Maria Sousa, para a realização do Carnaval 2006, contém indícios claros de que os envolvidos estariam burlando a lei para beneficiar-se com a contratação de empresas de apadrinhados, supostamente em troca de pomposas propinas.

No rol de irregularidades, podem-se citar os prazos determinados pela Lei de Licitações (8.666/93) que foram todos deixados de lado; os editais que não estão disponíveis na Comissão Maranhense de Folclore, local indicado para a apresentação das propostas, segundo o Diário Oficial; ao que tudo indica, a presidente da Comissão, Evânia Maria Sousa, que trabalha na própria Secretaria de Cultura; e o secretário de Cultura, Francisco Padilha, que, além de ciceronear, em caminhadas na praia de São Marcos, a primeira-dama Alexandra Miguel, em pleno horário de expediente, não dá explicações sobre o assunto e, ainda, insulta jornalistas.

Foi o que aconteceu ontem à tarde. Ao tentar um contato por telefone com o secretário-amigo de Alexandra, o editor de política Gilberto Léda foi surpreendido com insultos e palavras de baixo calão.

O diálogo foi o seguinte:

- Alô, secretário. Aqui quem fala é Gilberto Léda, do jornal Veja Agora. Estou fazendo uma matéria sobre as licitações para o carnaval...

- Olha, eu não vou atender vocês, porque isso não é um jornal! Vocês são uns filhos da p...! Deviam checar as informações antes de publicar besteiras!

- Muito obrigado.

- Tchau!

O que nosso repórter estava tentando fazer era justamente isso. Checar a notícia. Mas, ao invés de fornecer os dados necessários para a matéria e tentar se defender das denúncias de irregularidades que são claramente perceptíveis no Diário Oficial, Padilha utilizou-se de insultos e grosseria, demonstrando todo o desespero que permeia o cotidiano daqueles que se agarraram com unhas e dentes ao governo fracassado de José Reinaldo.

Como pode um repórter trabalhar e checar suas informações se o chefe de um órgão, que prefere passar o tempo na praia a trabalhar, o insulta ao invés de tentar travar um diálogo civilizado e explicar a sua versão da história? Como pode este mesmo chefe cobrar que um veículo de imprensa que o critica ouça o seu discurso se, quando o tenta, é recebido sem o mínimo de cordialidade e educação?

Mas Padilha não é exceção no governo, é regra. Numa administração marcada pela corrupção e pela insistente repulsa aos veículos de oposição, é comum ouvir-se reclamações de que a oposição não os ouve para produzir as matérias. E nem poderia.

Senão vejamos: desde o fim do ano passado, José Reinaldo já realizou três ou quatro entrevistas coletivas, todas restritas aos amilhados. Num dos casos mais emblemáticos, jornalistas de Veja Agora, O Estado, TV e Rádio Mirante foram todos barrados na porta da Casa de Veraneio do Governo do Estado. Segundo o PM responsável pela segurança da portaria, não poderiam entrar porque não eram "jornalistas amigos".

Não somos amigos, nem temos a necessidade de o ser. Somos jornalistas e queremos levar a melhor informação aos nossos leitores e assim o faremos, com ou sem as informações oficiais, até porque, no Maranhão, estas geralmente são falsas.

Quando tentamos ouvi-los, repudiam-nos e depois reclamam...

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