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CHANTAGENS E AMEAÇAS NA FRENTE DA TRAIÇÃO - José Reinaldo ameaça não financiar campanha de Jackson; Jackson ameaça retirar deputados do PDT da base aliada


Data de Publicação: 23 de fevereiro de 2006
 
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Frente volta a mostrar desunião; Jackson promete romper se não for candidato único


As informações dando conta de que lideranças do PDT (Partido Democrático Brasileiro) estiveram reunidas, na noite da última terça-feira, para definir o futuro da legenda no governo dominaram a pauta de discussões de ontem na Assembléia. Deputados do grupo de José Reinaldo (PSB) e que hoje se encontram no PDT tentaram desmentir as informações, mas pedetistas confirmaram a decisão do grupo: Jackson não sai candidato pela base aliada se o governador continuar a cogitar a candidatura de Edson Vidigal.

Um dos mais inflamados pelos corredores da Assembléia era o pedetista histórico Mauro Bezerra. Segundo ele, é imperativo que a frente mantenha a candidatura única do ex-prefeito de São Luís. Se o PSB lançar um candidato, sai da coligação imediatamente. "Se o PSB lançar um candidato, tem que sair da Frente", afirmou, referindo-se ao fato de que o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) deve mesmo se filiar ao partido do governador para disputar as eleições.

Outras vias

Apesar da indignação da maioria dos pedetistas, o rompimento imediato não é a única via para o partido de Jackson Lago. Uma intricada rede de interesses permeia a decisão dos jackistas, que pretendem, antes de tudo, viabilizar suas próprias candidaturas e manter a maioria na Assembléia Legislativa.

Uma saída para o impasse seria José Reinaldo convencer Jackson de que o apoio do Governo do Estado é imprescindível por conta da força da máquina administrativa durante a campanha. Nessa hipótese, Vidigal e Jackson concorreriam pelo grupo e o governador manteria o apoio dos pedetistas no legislativo.

Ainda nesse caso, os deputados reinaldistas também sairiam lucrando, já que o PDT ameaça não lhes dar legendas se houver o rompimento.

Em outro cenário, o governador cederia às pressões do ex-prefeito e manteria sua candidatura única. Mas isso só deve acontecer se Jackson conseguir convencer José Reinaldo de que os recursos do estado valem menos que a manutenção da maioria na AL. Fontes ligadas ao candidato afirmam que ele acredita no recuo do governador a partir do momento em que perceber a intenção de Jackson negar legenda aos seus deputados.

A última via, e ainda muito em evidência, seria José Reinaldo completar a saga da traição, deixar o Palácio no fim de março e assumir a candidatura a uma cadeira na Câmara Federal. Assim, não teria mais compromisso com qualquer dos candidatos e, se eleito, fugiria das garras da Justiça mantendo um mandato parlamentar.

O caso João Castelo

Em qualquer das projeções para a campanha de outubro, entretanto, João Castelo parece estar fadado a uma acachapante derrota. Disputar sozinho com o João Alberto (PMDB), candidato a senador na chapa de Roseana (PFL), é certeza de derrota nas urnas.

Com o desejo explícito de José Reinaldo de lançar outro candidato a governador para concorrer ao lado de Jackson, a nova chapa majoritária teria, obrigatoriamente, que ser formada por mais um candidato ao senado, o que diminuiria ainda mais o cacife eleitoral do tucano.

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