DENÚNCIA
"Está havendo uma redução drástica no transporte coletivo. Cerca de 20 a 25% dos ônibus já foram tirados de circulação". A informação é do secretário de comunicação do Sindicato dos Rodoviários, José Rodrigues da Silva, que afirma que a entidade se prepara para fazer uma mobilização após o carnaval, no sentido de evitar que a redução continue e que motoristas, cobradores e fiscais percam o emprego.
"Na planilha de custo tarifário das empresas de transportes há um item chamado de fator de utilização, que é um código que define quantos trabalhadores devem ser contratados para cada ônibus. O de São Luís é de 2,5, o que quer dizer que, por cada veículo é preciso contratar dois e meio motoristas. Quando foi aprovado o turno de seis hora, essa média subiu para 2,83, ou seja, cada empresa tem que contratar até seis funcionários por carro", explica Rodrigues.
Apesar de ter sido votado e aprovado pela Câmara de Vereadores ludovicense, o projeto até hoje não é colocado em prática pela Prefeitura. "Sem fazer acordo ou negociação com ninguém, o pessoal do Município resolveu reduzir o fator de utilização de 2,83 para 2,3. Isso aconteceu para que o prefeito Tadeu Palácio conseguisse implantar os terminais e os consórcios", afirma o secretário.
Segundo Rodrigues, a redução dos ônibus teria acontecido gradualmente à medida que os terminais eram inaugurados e culminou com a implantação dos consórcios. Já a lei que diminui o fator de utilização foi votada no dia 30 de dezembro de 2005. "A Prefeitura não está agindo de forma correta, enrolou todo mundo. Está fazendo isso para fugir dos custos operacionais, pois se fosse feito como deveria, iria ter uma redução dos impostos para compensar a contratação de mais trabalhadores para cumprir o turno de 6h, o que geraria mais emprego e mais ônibus para acomunidade" relata o secretário de comunicação.
Por causa da postura da Prefeitura, comunidades como a da Vila República, no Maracanã, que há 24 anos tinha uma população de 37 famílias e quatro ônibus, atualmente tem apenas três veículos para atender 3.500 famílias, de acordo com o Sindicato dos Rodoviários.