ESTELIONATO
De acordo com fontes da própria Secretaria de Segurança Pública, um outro delegado de polícia sócio de um empresário do ramo de revenda de veículos estabelecido na Avenida Médice poderia estar envolvido no golpe de desalienação findunciária através de documentos falsos, descoberto ontem pela Delegacia Estadual de Investigação Criminal - Deic, que resultou na prisão do delegado André Monteiro, preso no início da noite de terça-feira em um lava jato no bairro do Calhau. Além do delegado, também foram presos e autuados em flagrante por formação de quadrilha e estelionato, Moisés Mazzey Guimarães e Airton Luís Saldanha Gama, o "Luís Gaúcho.
De acordo com informações, essa declaração teria sido dada pelo próprio delegado André Monteiro em depoimento prestado logo após a prisão na sede da Deic. Ontem, por telefone, quanto a possibilidade de envolvimento de um outro colega declarado por ele em depoimento, André Monteiro silenciou, mas em seguida, aparentando estar muito abalado, disse não se lembrar de ter feito tal declaração.
Quanto ao seu envolvimento, o delegado André Monteiro afirmou que estaria sendo injustiçado, e que apenas estava investigando o caso quando a prisão aconteceu. Em entrevista coletiva dada na manhã de ontem, na sede da Segup, no Outeiro da Cruz, o delegado André Grossain, que comanda as investigações, explicou como o golpe era dado.
Segundo o delegado André Gossain, os acusados compravam os carros usando os documentos falsos, davam uma entrada mínima, financiando o restante em dezenas de prestações, que eles não pagariam mais e em seguida os revendiam no mercado, usando documentos fraudulentos também.
Acusado de ser o chefe da quadrilha, Móises foi o primeiro a ser preso na concessionária Advel, quando tentava um novo financiamento. No ato da prisão, ele disse logo que os responsáveis em "levantar" as documentações usadas era o delegado e Luís "Gaúcho".
Diante da pressão, Moises entregou ainda o local onde os dois estariam tentando vender o Nissan, ou seja, o lava jato Planet Car, no Calhau. Com Moises a polícia apreendeu um talonário de cheques em nome de Jean Charles, que ao ser contatado disse que nunca teve conta em banco, tendo fornecido seu CPF ao delegado André Monteiro para que lhe arranjasse um emprego.
Os policiais seguiram para o local, e prenderam os outros dois envolvidos em flagrante. Lá, também, o soldado Filipe foi encontrado. Portando um revólver 38 sem registro, ele alegou que teria ido comprar uma BMW de propriedade do delegado e, como não ficou provado o envolvimento, acabou sendo liberado, porém foi instaurado inquérito para apurar o porte ilegal.
Em depoimento, o delegado tentou justificar alegando que estava investigando o caso, e apresentou um relatório encaminhado à Superintendência de Polícia do Interior relatando uma investigação sobre caminhões fraudados e contava que todas as informações haviam sido fornecidas pelo homem identificado como José Paulo, que localizado negou ser informante.
A partir da prisão do delegado, Moisés e Luís Gaúcho, a polícia conseguiu apreender duas caminhonetes Nissan, um BMW e um Citroen Picasso. Na manhã de ontem, funcionários do Banco Renault, o maior prejudicado no caso, estavam prestando declarações na Deic, a fim de esclarecer como funciona a questão da alienação dos veículos. As investigações continuam, entretanto, e o prazo será de apenas 10 dias para concluir o inquérito e encaminhar à justiça.