O deputado Carlos Braide, líder do governo na Assembléia Legislativa, atacou duramente o Poder Judiciário, acusando-o de parcialidade no julgamento de uma ação movida por Silma Sousa de Aquino, dona da Granja Santa Luzia, que faliu depois que a Caema, poluindo o Rio Paciência jogando os dejetos dos esgotos dos conjuntos Cohab I, II, III e IV e mais o complexo do Cohatrac.
A granja, conhecida como a Vacaria da Silma era, na opinião do deputado Domingos Dutra, "uma empresa muito grande, com gado de qualidade que abastecia com leite toda São Luís, na época. Depois que a Caema poluiu o Rio Paciência essas propriedades perderam valor. E, com isso, a Vacaria Silma se acabou", disse Dutra a uma rádio local.
A proprietária ingressou com uma ação e, depois de 20 anos, a Justiça finalmente deu ganho de causa à empresária.
Desespero
Desesperado, Braide atacou os membros do Judiciário que reconheceram o direito da senhora Silma Aquino de ser indenizada. Para o deputado, pai do presidente da Caema, Eduardo Braide, o governo deveria desrespeitar a lei e entregar a chave da Caema para que o Tribunal de Justiça do Estado decida o que vai fazer.
O deputado se esquece que não pode querer desmoralizar o Judiciário e que suas palavras agridem a independência da magistratura maranhense.
O que se tem a cobrar é que a Caema jamais se interessou realmente com o resultado da ação e seus advogados - incluindo o atual chefe da Procuradoria Geral do Estado, Ulisses Martins de Souza - opuseram embargos à ação que foram todos rejeitados pelo Tribunal de Justiça. Na verdade, só agora que os dirigentes da Caema se deram conta da gravidade da ação, pois o acompanhamento do processo mostra que o mesmo correu praticamente à revelia, terminando com a sentença que já transitou em julgado.