O secretário de Cultura do Estado, Francisco Padilha, concedeu, ontem, entrevista a um programa de TV local tentando desqualificar as denúncias publicadas por Veja Agora acerca do Carnaval 2006.
Nas edições de 17, 19 e 22 de fevereiro foram publicadas matérias - baseadas em criteriosa investigação - dando conta de que nenhum dos contratos assinados pela Secretaria de Cultura para a realização do carnaval 2006 tinha sido licitado.
Veja Agora tentou conversar com o secretário, mas, ao invés de explicar-se para a nossa equipe de reportagem, Padilha preferiu insultar nosso editor de política e desqualificar as informações depois de publicadas.
Na entrevista de ontem, ele voltou a atacar - "Aquilo não é um jornal, aquilo não são jornalistas" - e disse que se os R$ 7,5 milhões não foram todos gastos com as brincadeiras locais, isso se deve ao fato de que a Secretaria também ajuda prefeituras do interior através de convênios. "Repassamos R$ 2,5 milhões para o interior, em convênios com as prefeituras", informou. O que também é de se estranhar, já que a Cultura não apóia os carnavais de todos os municípios e as cotas, normalmente, variam apenas entre 30 e 40 mil reais por prefeitura.
Ministério Público
Francisco Padilha afirmou, ainda, que o inquérito aberto pelo Ministério Público para apurar as denúncias é "coisa de rotina" e que os promotores são "parceiros da Secretaria de Cultura", sempre por lá "orientando" o trabalho na pasta.
O promotor Lucíolo Gorayeb, da Promotoria Especializada na Defesa da Probidade Administrativa e do Patrimônio Público de São Luís, autor do inquérito, deve se pronunciar hoje sobre as declarações e, com certeza, deve afirmar que não orientou ninguém a fazer um verdadeiro carnaval com o dinheiro público.