DESALIENAÇÃO CRIMINOSA
Depois do bombardeio de informações por parte da cúpula da Secretaria de Segurança nas investigações de desalienação fiduciária criminosa que resultou nas prisões do delegado carioca da Polícia Civil, André Monteiro, Moisés Mazzey e Airton Luís Gama, o Luís Gaúcho, no lava jato na Planet Car, no bairro do Calhau no início da semana, ontem, foi a vez do delegado preso dar sua versão a cerca dos fatos.
Muito abatido e visivelmente decepcionado com a falta de apoio da Associação dos Delegados (ADEPOL) que, segundo ele, até o momento não moveu um passo em seu favor, a prisão dele é fruto da disputa pelo poder que hoje toma conta da Segup.
"A situação em si, juridicamente, não caracterizava estado de flagrância, pois na cabeça de qualquer pessoa, mesmo as poucas dotadas de conhecimento, perguntam-se o porquê de não ter sido levado em consideração à informação dada quanto à existência de um relatório encaminhado por mim ao Superintendente de Polícia do Interior, delegado Sindonis Cruz, a quem estou subordinado, dando conta da investigação sigilosa que estava sendo feita, nem ao menos foi levado em consideração? Sei que estou no meio de um fogo cruzado, onde a manutenção do poder a qualquer custo está dando as cartas e, infelizmente, querem me crucificar, como se fosse Jesus Cristo. ", disse o delegado.
Segundo ele, diante de como as coisas se deram, a razão que poderia justificar a situação em que se encontra foi o fato de ter sido adversário do atual secretário adjunto, delegado Jefferson Portella na eleição passada na disputa pelo comando da Adepol. "Eu fui candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pela delegada Irismar Cantanheide", declarou.
Relatório
Diferentemente de tudo que já foi apresentado pela polícia até o momento, o delegado André Monteiro disse que o relatório encaminhado a Sindonis tinha informações sobre um suposto funcionário do Detran, que iria entregar documentos de um caminhão a Moisés Mazzey, que também foi preso. Este caminhão seria vendido para terceiros e retirado do estado, para possivelmente ser trocado por drogas.
O delegado acrescentou que soube pelo próprio Moisés sobre o caminhão e num sábado, estava no carro, do outro lado da rua, na Avenida São Luís Rei de França, quando Moisés foi se encontrar com o suposto funcionário do Detran, mas o "negócio" não chegou a ser feito, por que, segundo Moisés, o documento não havia ficado pronto. O relatório, que segundo ele existe, mas não foi apresentado à equipe de reportagem do Veja Agora, será usado como instrumento para sua defesa.
Ameaça
"Minha vida está em jogo, não tenho dúvida disso. Mesmo aqui já recebi recados de "colegas" para que eu não fale nada", disse. Segundo André Monteiro, em depoimento, não declarou o nome de nenhum outro delegado envolvido, mas na entrevista, confessou que segundo declarações do próprio Móises, policiais civis estão envolvidos no esquema criminoso. Ele não confirmou nem confessou o envolvimento de outro delegado, apenas se resguardou do direito de não falar.
Mesmo usando palavras frias, em alguns momentos da conversa, o delegado André Monteiro aparenta que sabe muito mais do que contou e, diante de algumas indagações, mostra contradição nas respostas, dando a entender que poderia estar protegendo alguém. Nos corredores da Segup, comenta-se que esse é o pensamento que domina 80% dos colegas. Na realidade, afirma o disse me disse, André Monteiro teria servido de "isca" para que a polícia consiga chegar a outro delegado, suspeito de participar de práticas delituosas, entre elas, além de desalienação fidunciária, dar suporte para hackeres no interior do Estado.
A ânsia de prender o outro suposto delegado, de acordo com fontes da própria Segup, teria um único propósito. O pressionar psicologicamente ao ponto de delatar esse suposto delegado, que por sua vez, considerado o protegido do ex-secretário Raimundo Cutrim, adote prática semelhante há de José Reinaldo, ou seja, a traição, e declare coisas que comprometam Cutrim.
Ao terminar a entrevista, jurando inocência como em todo momento, o delegado negou que tivesse sido alguma vez denunciado pela clonagem de cartão na sede da Segup, afirmou que teve um procedimento administrativo aberto por Joviano Furtado, quando ambos trabalhavam junto no 11º DP, no São Cristóvão, mas por pura perseguição do colega, que deixou de ser delegado na pequena cidade de Colorado, em Rondônia, por causa da esposa que não se adaptou e, estranhamente, também disse que parecia está adivinhando, pois uma semana antes pegou uma ficha na Corregedoria de Polícia onde não consta nada contra ele.
No final, chorando, André Monteiro finalizou dizendo que essa (prisão) foi o pago que recebeu pelos oito anos de serviços prestados à Segurança Pública do Estado", declarou. Ao longo do dia de hoje, ao certo, novidades poderão surgir, entre elas, a prisão de um policial civil decretada desde ontem, mas que ainda não havia sido cumprida até o fechamento da nossa edição.
Coincidência
Segundo o delegado, através de um corretor de carros conhecido como Paulo, acabou conhecendo Móises, de quem comprou uma pick up Frontien ano 2001, com quem acabou trocando por uma BMW. " Com poucos dias da troca, a BMW começou a dar problema e o procurei para trocar e, a partir de então comecei a investiga-lo, descobrindo que ele já tinha passagens em vários estados por estelionato. Passei a investiga-lo juntamente porque fiquei sem a pickup bem como os cinco mil que ele ficou de me dar na troca de um pelo outro", disse o delegado.