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Fóssil desmoralizado


Data de Publicação: 3 de fevereiro de 2006
 
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A carreira política do ex-prefeito Jackson Lago está irremediavelmente enterrada. Nunca um homem público foi tão acintosamente desmoralizado por um aliado como o ex-prefeito está sendo ridicularizado por José Reinaldo.

Todos os movimentos que o já quase ex-governador faz no jogo sucessório têm um único objetivo: mostrar que a candidatura de Jackson é rejeitada de forma ampla pela base governista e que José Reinaldo continua à procura de um nome que possa, não só unir os partidos da Frente da Traição, como apresentar algum indício que possa sinalizar que a vitória de Roseana não é irreversível, como demonstram as pesquisas.

São cada vez mais comuns notas nos jornais reinaldistas dando conta de que o governador, numa trama diabólica, procura uma alternativa mais confiável que Jackson Lago. A desenvoltura com que ele trata da escolha de uma terceira via mostra que Jackson apenas ocupa um espaço na frente reinaldista que nunca foi dele.

As insistentes sondagens do próprio governador e de alguns emissários ao presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Edson Vidigal, revelam as más intenções do governador. Apesar das negativas de Vidigal, já há quem especule e até estimule uma ruptura entre Vidigal e o senador José Sarney. Notinhas enxertadas em algumas colunas políticas sugerem que a amizade de mais de 40 anos do ministro com o ex-presidente ruíram por conta de supostas divergências paroquiais. Balela. Ainda esta semana, Vidigal convidou o deputado Sarney Filho para participar de uma solenidade do STJ e ressaltou sua amizade com o parlamentar. Quem leu, em dezembro, na coluna Política.com, de Veja Agora, o carinhoso e-mail enviado por Vidigal e sua esposa, D. Eurídice, dirigido a Sarney, condenando a torpe manobra de José Reinaldo de acabar com a Fundação José Sarney, sabe que essas notícias são intrigas.

Apesar disso, os frentistas continuam alardeando que a coalizão reinaldista está unida e que Jackson é o candidato de consenso. Até Castelo, que sempre se manteve na moita, já começa a admitir que será candidato ao Senado. O que ninguém explica é por que o governador continua sua caçada ao "fato novo", como lhe sopraram os marqueteiros da Pública.

O que causa espécie a todos é que Jackson a tudo assiste sem uma palavra de reação. José Reinaldo trama abertamente contra sua candidatura, enquanto lhe dirige afagos, dando-lhe ora uma secretaria aqui, ora uma cabeça premiada ali e o vai levando no bico, à espera de que, até março, surja esse nome milagroso que vai realizar o impossível. Ou seja, ganhar uma eleição que todos sabem perdida. Mas Jackson Lago não reage, não dá demonstração de que pode ir para a briga de verdade e apenas espera como um gado que vai para o abatedouro.

Sua única demonstração de insatisfação contra aquele que ele chamou de "meu líder" é o seu semblante sempre carregado, como se detivesse em si toda a bile do ódio e do rancor e que, por não ter mais força, não sabe como expeli-la.

José Reinaldo, ao contrário, continua a andar com desenvoltura. Viaja, passeia, se encontra com velhos amigos e com a quase ex-mulher, fingindo que Jackson não existe e dando todas as mostras de que, daqui até o dia 30 de março, vai, finalmente, abandoná-lo à própria sorte. Jackson vive seu ocaso. Humilhado!

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