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Astronauta brasileiro fala dos preparativos e da expectativa para missão espacial


Data de Publicação: 9 de fevereiro de 2006
 
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RIO - Primeiro brasileiro designado para viajar ao espaço, o tenente-coronel Marcos Cesar Pontes falou ontem, em entrevista coletiva na Cidade das Estrelas, em Moscou, sobre os desafios da viagem, que começa no dia 30 de março. Ao lado do comandante, o russo Pavel Vinogradov, e o engenheiro de vôo americano Jeffrey Williams, Pontes falou sobre uma série de aspectos pessoais do treinamento e da viagem, como o frio rigoroso na Rússia na reta final dos preparativos, o apoio que espera dos brasileiros, itens simbólicos que pretende levar ao espaço e até superstições. Mesmo em órbita, o astronauta fará questão de manter viva a ligação com o país. Na volta, segundo ele, daria "um abraço bem forte no Brasil" se pudesse.

- Uma ligação muito grande com a família, com os amigos, o Brasil inteiro... Saudade. Fica aquele cordão umbilical de 400 quilômetros de extensão entre a estação e a Terra, que a gente não pode perder - disse ele.

Os três astronautas vão viajar a bordo da nave russa Soyuz 12 TMA-8. Pontes passará dez dias na Estação Espacial Internacional, fazendo uma série de experimentos. Vinogradov e Williams ficarão pelos próximos seis meses lá, substituindo os tripulantes permanentes anteriores. As missões de tripulantes de longa permanência na estação são chamadas de expedições. Esta é a de número 13. O estigma do número e a memória da Apollo 13, missão lunar marcada por uma série de problemas que por pouco não acaba em tragédia, não preocupa Pontes ou seus colegas.

- É apenas um número entre 12 e 14 - disse Williams.

- Nenhum problema com relação ao número 13. Se pensar, sou 12 e meio, porque volto com a expedição 12 - brincou Pontes.

O astronauta brasileiro contou que levará consigo fotos da família, itens institucionais do Brasil e símbolos religiosos pessoais, que ele não quis detalhar.

Indagado sobre a primeira coisa que gostaria de fazer ao voltar para o Brasil, ele disse:

- Se o Brasil fosse como uma pessoa, ia dar um abraço bem forte - disse Pontes. -O que gostaria de deixar para cada pessoa no Brasil é que embora eu esteja como único brasileiro a bordo, conto com o apoio, com aquele suporte, conto com o Brasil. Eu não quero estar sozinho, por isso levo a bandeira.

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