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Zé Mané


Data de Publicação: 10 de março de 2006
 
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Wilson Garcês

Há uns versos de Gregório de Matos Guerra que rimam perfeitamente com o desgovernador José Reinaldo. Versos que, aliás, servem para todos os babacas, em todos os níveis sociais, que, por vias abortivas ou espasmódicas de insondáveis más sortes dos zodíacos, chegam ao podre poder: "A cada canto um grande conselheiro,/ Que nos quer governar cabana e vinha,/ Não sabem governar sua cozinha,/ E podem governar o mundo inteiro." Dizem até, só para complementar a relação do vate baiano com idiotas poderosos, que um certo Zé Mané do seu tempo, numa taberna de cachaceiros, chegou para o poeta e, querendo demonstrar intimidade pública com Gregório, pediu: "Poeta, faz aí uns versos que rima com mim", ao que o poeta respondeu no ato: "CAPIM", expondo ao ridículo a ignorância do Zé Mané, que, como vemos, existe em todas as épocas e lugares.

É preciso que se recorra a essas ilustrações satíricas do Boca do Inferno, quando nos detemos nas macaquices (com todo respeito ao intelecto dos símios) do "Senhor das Moscas", Zé Mané Reinaldo. E ainda assim, é frágil tal alegoria, senão vejamos: quem causaria mais estragos e lama, para não citar algo mais escatológico: Zé Mané na administração de um Estado de falência como o nosso, ou um elefante numa loja de louça?

Façam essa perguntinha na mídia interativa ou contratem o IBOPE. A reposta é inequívoca: Zé Mané se excede em demência e desatinos tais, que um elefante seria, sim, menos nocivo sentado na cadeira de governador do Palácio dos Leões.

Mas nesse ponto de tão drástica constatação, para infelicidade do nosso povo, perguntar-se-ia quais as motivações que abobalharam de vez nosso Zé Mané ou se Zé Mané sempre o fora e nós, manés, não percebíamos. Seriam as paixões shaskespearianas muito bem exemplificadas em Otelo, atormentado pelo ciúme e enlouquecido pela idéia da traição? Seriam mágoas e invejas de criatura em relação ao criador? Seria senilidade precoce ainda não diagnosticada pela medicina? Ou seria um surto de delirium tremens puro e simples que o poder, tal qual alucinógenos, exerce em mentes infantilizadas para o exercício do comando e da liderança, quando acham que a força bruta sempre decide a razão?

Seja qual for a causa, as graves conseqüências vitimam diretamente o já combalido povo maranhense.

Não importa o motivo Zé Mané é Zé Mané, e quanto mais se lê Platão, Maquiavel, Rousseau, Montesquieu, Thomas Hobbes, Stuart Mill, Marx, Hegel, Burke e demais clássicos das ciências políticas, menos se entende o político Zé Mané.

Um Zé Mané reinventa a roda, arromba a porta aberta, atira no pé, descobre a pólvora, quer alcançar o sol com asas de cera, troca seis por meia dúzia, inventa um prego de duas cabeças porque acha que vai lucrar duas vezes mais, descobre o quadrado redondo, enfim, é um Midas do avesso, tudo que toca vira lama. Só que um Zé Mané dirigindo mais de seis milhões de pessoas torna abismal o desastre que ele é capaz de fazer a tanta gente lotada no trem de sua obtusidade.

O "nonsense" por que passa o nosso Estado é de uma gravidade tão surrealista que melhor seria se estivéssemos à deriva, o Maranhão por si só singrando caminhos aleatórios num mar sem horizontes; ou se o piloto tivesse sumido e fôssemos passageiros de um vôo automático, ao invés de sermos dirigidos por um palhaço bêbado, comandando um show de trapalhadas tão trágicas para o nosso povo já tão ferido em sua dignidade.

Triste capítulo de nossa história o que este rei-bobo está escrevendo para a posteridade Não saberemos explicar às gerações futuras porque nós, de tradições intelectuais tão celebradas, permitimos que um Zé Mané subisse tantas escadas e do alto relinchasse em nossa honra toda sua asnice, escoiceando sobre a esperança de um povo que, tal qual Sísifo, carrega uma imensa pedra ladeira acima e nunca alcança o Maranhão melhor que tanto sonhamos.

À véspera de uma eleição, com o nosso Zé Mané conduzindo uma nau de insensatos, é bom que o povo maranhense reflita na voz de Hamlet, personagem genial de Shakespeare, que tão intimamente conviveu com a insanidade: "A loucura dos poderosos deve ser vigiada". Ou melhor, punida com o voto democrático e, depois, lançada nos porões do esquecimento do povo, o manicômio perfeito dos ineptos tresloucados que a história, por equívocos, às vezes aborta.

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