Há exatamente um ano, o prefeito de Buriti Bravo João Henrique Leocádio foi assassinado em uma estrada na saída do município e, até a presente data, de forma inexplicável, a Secretaria de Segurança Pública ainda não apresentou o nome do mandante, mesmo estando preso há mais de 11 meses, o empresário Marcos Antônio Alves, o "Marcão" e Wytamar Costa da Silva, apontados como executores do crime.
A prisão aconteceu quando as investigações estavam ainda sob o comando do delegado Hagamenon Azevedo. De lá para cá muitas informações foram divulgadas, entretanto, o nome do mandante, segundo fontes da própria Segup, apesar de já ser de conhecimento dos delegados recentemente nomeados para concluir o caso, ainda permanece guardado em uma caixa de segredos fechada a sete chaves.
Uma audiência na quarta-feira com a presença do secretário de fato, delegado Jefferson Portela, o delegado geral, Almeida Neto, superintendente do Interior, delegado Sindonis Cruz, vereadores e representante da justiça aconteceu naquela cidade. Mais uma vez, a audiência teve como objetivo o pedido de prorrogação do prazo, por mais 30 dias, para conclusão das investigações.
Diante da informação que o nome do suposto mandante já constaria no relatório encaminhado pelo delegado Paulo Márcio Tavares ao secretário Raimundo Marques duas hipóteses são levantadas. A primeira que a atual administração, em razão da animosidade, não queira que os méritos sejam atribuídos ao delegado e, a segunda, igualmente mesquinha, é que Raimundo Cutrim, ex-titular da pasta, não seja colocado como o "salvador da pátria". Hoje, tanto na capital quanto na cidade de Buriti Bravo, a família do prefeito irá realizar um ato de protesto para cobrar respostas por parte do Sistema de Segurança em relação ao caso.
Exumações
Na primeira exumação feita 12 dias após o crime, os peritos retiraram a pele da mão direita do prefeito para averiguar se havia resíduo de pólvora. O exame de recenticidade feito nas mãos da vítima teve o resultado prejudicado, pois quando os peritos chegaram a Buriti Bravo, o corpo já teria sido higienizado.
Na segunda exumação, ocorrida no dia 4 de outubro, o crânio do prefeito foi trazido para São Luís, e com as análises teria sido comprovado que ele teria sido atingido com dois tiros de armas diferentes, concluiu o perito.
Dois tiros
Em janeiro deste ano, apesar de correr sobre segredo de justiça, as declarações de Wilton Carlos Rego Ribeiro, perito do Instituto de Criminalística, caiu como uma bomba no meio policial. Responsável pelo laudo do caso da morte do prefeito, o perito Wilton Carlos descartou a possibilidade de suicídio, atestada no primeiro laudo e, categoricamente, confirmou a hipótese de homicídio.
Ele ainda foi mais longe, garantiu que duas armas, sendo o revólver 38 do próprio prefeito, além de uma pistola, que ele não precisou o calibre, teriam sido usadas no crime. Quanto ao segundo projétil, Wilton Carlos declarou até o caminho percorrido pelo mesmo, entretanto, não soube explicar como não foi encontrado na segunda exumação. A entrevista coletiva com o nome do indiciado deverá acontecer no início do mês de abril.