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Jura Filho reage à manobra


Data de Publicação: 11 de março de 2006
 
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O vice-governador Jura Filho está disposto a ir até as últimas instâncias dos tribunais federais para barrar a manobra que está sendo arquitetada pelo governador José Reinaldo Tavares, que visa a deixar o governo sem passá-lo a seu sucessor legal, o próprio vice-governador. A manobra seria o ápice de uma ação que vem sendo articulada minuciosamente nos porões palacianos para entregar o Governo do Estado nas mãos daqueles que acusaram o próprio governador de corrupção eleitoral.

Ontem, os jornais aliados do governador divulgaram com estardalhaço - e alguma felicidade -, que o procurador eleitoral federal substituto, José Leite Filho, havia emitido, nas alegações finais do Ministério Público, parecer favorável na ação promovida por Jackson Lago em que ele pede a cassação do diploma de José Reinaldo e Jura Filho por suposto abuso de poder econômico.

Ainda que seja verdadeira essa informação, que o tal parecer exista e que seja mesmo favorável à pretensão de Jackson Lago, a decisão sobre a legitimidade ou não da ação não se restringe ao parecer do Ministério Público Eleitoral. Ela é apenas uma opinião pessoal do representante do MP, supostamente baseada na legislação para orientar o voto do relator.

O relator do processo é o desembargador Raymundo Liciano de Carvalho, que tem até 60 dias para apresentar seu parecer sobre a ação. E ele pode aceitar, ou não, a manifestação do Ministério Público. Se considerar que as provas são insuficientes, ou que o parecer do procurador carece de substância, o desembargador pode simplesmente dar seu voto em desacordo com o parecer.

O processo do ex-prefeito Jackson Lago é extenso, com vários cadernos recheados de documentos com depoimentos de testemunhas, muitos inócuos, outros repetitivos e tem mais de três anos de tramitação. O simples exame dele é demorado. Segundo uma fonte, o desembargador Raymundo Liciano, que só recentemente foi indicado relator do processo, teria dito que sequer se debruçou numa análise detalhada da papelada e que isso pode vir a demorar a acontecer.

Já o vice-governador Jura Filho, conhecedor das manhas e mamunhas dos atuais manda-chuvas do Palácio dos Leões, não vai aguardar sentado que o esquema governista seja levado avante. Ele já acionou sua assessoria jurídica para destituir o novo procurador geral do estado, Ulisses Martins de Sousa da condição de defensor de sua coligação. Ulisses Sousa é advogado pessoal de José Reinaldo e não pode mais representar a coligação de partidos que vinha defendendo no Tribunal Regional Eleitoral.

Com a indicação de um novo defensor, Jura Filho se resguarda de uma provável manobra de José Reinaldo para entregar o governo a Jackson Lago, num grande e espúrio acordo que visa a permitir ao governador a possibilidade de se candidatar a deputado federal sem entregar o cargo a Jura Filho.

Em contato com correligionários, ontem, o vice-governador reiterou que a vitória de seu grupo político foi legítima e que a vontade do povo do Maranhão, expressa nas urnas em 2002, não pode ser ignorada. Não há, na opinião de Jura Filho, nenhuma prova documental que embase o suposto relatório do representante do Ministério Público. Para Jura o importante é que ele tem a consciência de que a vitória na eleição de outubro de 2002 foi legítima e legal e que isso será cabalmente provado no momento certo e no foro adequado.

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