REAÇÃO INDIGNADA
O vice-governador do estado, Jura Filho, disse, ontem, a Veja Agora, que não vai assistir em silêncio a mais uma encenação do governador do Estado, José Reinaldo Tavares, na tentativa de iludir a opinião pública e, através de instrumentos escusos, dar continuidade à série de desmandos que vem impondo aos maranhenses. Jura disse que não vai esperar que o governador e o prefeito Jackson Lago manobrem para, num artifício jurídico, tentar enganar a Justiça e o povo do Maranhão.
A reação indignada de Jura Filho aconteceu em função da divulgação de que o governador aceitaria, sem resistência, a anulação do resultado da eleição de 2002, quando ele e José Reinaldo foram eleitos.
Desde então, tramita na Justiça Eleitoral recurso proposto pelo ex-prefeito Jackson Lago, adversário de José Reinaldo naquele pleito e atual aliado do governador e seu candidato à sucessão. Na ação, Lago pediu a nulidade da eleição, acusando o governador de crime de abuso de poder econômico.
Os jornais de ontem trouxeram reportagens dando conta de que o procurador eleitoral substituto, José Leite Filho, da Procuradoria da Justiça Federal, teria emitido parecer favorável à cassação de José Reinaldo e Jura Filho. A partir daí, surgiram versões de que, para beneficiar seu hoje aliado, José Reinaldo estaria disposto a, numa ação acordada com Jackson Lago, não recorrer de uma suposta decisão do TRE favorável ao ex-prefeito.
Indignação
Indignado com a trama, Jura Filho disse que a vitória de sua coligação, que reuniu PFL/PST/PSDC/PSC/PMDB/PSD/PV, foi legítima e que deve prevalecer a vontade popular. Segundo o vice-governador, que já foi vítima de tentativas de desmoralização perpetradas por José Reinaldo, a manobra visa unicamente a beneficiar o novo amigo do governador, "nem que para isso ele tenha que admitir que ele próprio é corrupto e que fraudou o processo eleitoral daquele ano. Mas eu não compactuo com isso e não aceitarei que a vontade do povo, expressa nas urnas, e a vitória de nosso grupo sejam questionadas e revertidas por mais uma manobra escusa do governador", disse o vice.
Durante todo o dia de ontem levantaram-se opiniões sobre a suposta decisão do Ministério Eleitoral, mas o desembargador Raymundo Liciano de Carvalho não confirmou sequer a existência do parecer. Ele disse que ainda não teve tempo de analisar o processo, que tem vários volumes.
O desembargador tem 60 dias para apresentar seu relatório sobre se aceita ou não as supostas alegações do Ministério Público Federal de que teria acolhido a tese de abuso de poder econômico e político cometido pelo governador.
Jura Filho disse que, sendo parte interessada no processo, vai recorrer de qualquer decisão que seja contrária aos interesses da sua coligação e de seu partido.