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Confronto entre militares e traficantes deixa 3 feridos no Rio


Data de Publicação: 11 de março de 2006
 
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RIO 40 GRAUS

Militares do Exército voltaram a entrar em confronto, na manhã de ontem, com traficantes do morro da Providência (região central do Rio). Três pessoas ficaram feridas. O Comando Militar do Leste afirma que o confronto começou quando cerca de 50 soldados que ocupam o morro foram agredidos por moradores, a maioria mulheres e crianças.

Segundo o Exército, tiros foram disparados para o alto para dispersar a manifestação. Com o barulho dos tiros, traficantes que estavam no morro do Pinto, em frente ao morro da Providência, atiraram na direção dos militares. O tiroteio durou cerca de duas horas.

Em meio ao confronto, um homem, uma mulher e uma criança ficaram feridos. Elas teriam sido atingidas por estilhaços de balas e granadas. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o homem foi atendido no hospital Souza Aguiar, por volta das 7h, e liberado duas horas depois, após curativo. A mulher e a criança chegaram ao hospital pouco depois, foram medicadas e, por volta das 13h30, permaneciam internadas. Os nomes e idades não foram divulgados.

Durante a operação, quatro pessoas foram presas em uma casa, onde também foram apreendidos 10 quilos de cocaína, uma farda camuflada do Exército e radiotransmissores.

O Exército realiza desde o último fim de semana uma operação em morros, favelas e estradas do Rio na tentativa de recuperar os dez fuzis FAL e uma pistola levados do ECT (Estabelecimento Central de Transportes), no dia 3.

Operação

No total, dez morros e favelas foram ocupados pelo Exército desde o dia 4. Desde quarta (8), as tropas realizam bloqueios em estradas como a Dutra, a BR-040, a Rio-Santos, a ponte Rio-Niterói e em vias da Baía de Guanabara. Apesar do aparato, nenhuma das armas levadas do quartel do Exército foi encontrada.

Os militares ampliaram os trabalhos e ocuparam nesta sexta-feira o morro do Pinto, anexo ao morro da Providência, onde confrontos com traficantes têm sido constantes.

Na noite de terça (7), enquanto os militares ocupavam a favela da Metral, outros saíram das favelas Vila dos Pinheiros e Caju. Na noite de quinta, os militares saíram do Dendê e do Jardim América. A ocupação continua, além do morro do Pinto, nos morros da Providência, nas favelas Parque Alegria, Jacarezinho, Manguinhos, Nova Brasília.

Oficialmente, os militares afirmam que a operação terminará apenas quando as armas forem encontradas. Porém, conforme reportagem publicada na quinta-feira (9) pela Folha, o Estado Maior do CML já começou a discutir, ainda que de modo reservado, a hipótese de os dez fuzis e a pistola não serem recuperados.

Caso isso ocorra, o mais provável é que as tropas voltem aos quartéis, e o serviço de inteligência do Exército continue a investigar o paradeiro do armamento, roubado na sexta passada.

Ex-militares suspeitos

Já teriam sido identificados quatro suspeitos de roubarem os dez fuzis de um quartel do Exército no Rio de Janeiro, segundo o promotor de Justiça Militar Antonio Carlos Gomes Facuri. Pelo menos dois desses suspeitos são ex-militares.

Cerca de 20 pessoas teriam participado da ação criminosa juntamente com os suspeitos, de acordo com Facuri. O caso pode ser resolvido ainda este final de semana. "Eu acredito que, no domingo, a população fluminense vai ter sossego. É o que todos nós queremos", afirma o promotor.

Os ex-militares, um ex-cabo e um ex-soldado, já teriam prestado serviço no Estabelecimento Central de Transporte (ECT), unidade do Exército de onde as armas foram roubadas na última sexta-feira.

De acordo com Facuri, o Ministério Público Militar não teve, até agora, qualquer informação sobre ilegalidades cometidas pelo Exército na operação de busca às armas, como supostas agressões a moradores.

"Até agora, não tomei nenhum conhecimento de nada nesse sentido. Caso tenham realmente acontecido (ilegalidades), as apurações virão pelo Ministério Público Militar, as providências serão tomadas e as responsabilidades serão apuradas", afirmou.

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