O juiz Wilney Magno de Azevedo Silva, da 16ª Vara Federal do Rio, negou ontem o pedido de liminar feito pelo Ministério Público Federal por meio de uma ação cautelar que interromperia a operação do Exército no Rio, realizada desde o fim de semana passado.
Em sua sentença, o juiz decidiu ainda extinguir o processo, sem julgamento do mérito.
Os militares ocupam diversas regiões da cidade e realizam bloqueios em suas principais vias de acesso em busca de dez fuzis FAL e de uma pistola roubados do ECT (Estabelecimento Central de Transportes), em São Cristóvão (zona norte do Rio), no último dia 3.
Os procuradores da República Fábio Aragão e Vinícius Panetto alegam que a Constituição Federal não está sendo cumprida. Eles dizem que o Exército tem realizado funções exclusivas das polícias Civil e Militar, como revistar carros e moradores que entram e saem dos morros e favelas.
Operação
No total, dez morros e favelas foram ocupados pelo Exército desde o dia 4. Desde quarta (8), as tropas realizam bloqueios em estradas como a Dutra, a BR-040, a Rio-Santos, a ponte Rio-Niterói e em vias da Baía de Guanabara. Apesar do aparato, nenhuma das armas levadas do quartel do Exército foi encontrada.
Os militares ampliaram os trabalhos e ocuparam ontem o morro do Pinto, anexo ao morro da Providência, onde confrontos com traficantes têm sido constantes.
Na noite de terça (7), enquanto os militares ocupavam a favela da Metral, outros saíram das favelas Vila dos Pinheiros e Caju. Na noite de quinta, os militares saíram do Dendê e do Jardim América. A ocupação continua, além do morro do Pinto, nos morros da Providência, nas favelas Parque Alegria, Jacarezinho, Manguinhos, Nova Brasília.
Oficialmente, os militares afirmam que a operação terminará apenas quando as armas forem encontradas.