De todos os títulos acadêmicos do secretário de Educação Edson Nascimento, há um que ele não obteve nos bancos escolares: o de mestre da mentira. Ignorante confesso da administração escolar, o secretário se notabilizou pelo seu envolvimento em várias denúncias sobre a compra superfaturada de livros e na composição de escabrosos convênios firmados entre a instituição que dirige, no caso a Secretaria de Educação, e a Fundação Gomes de Souza, que ele fundou em parceria com o também secretário Othon Bastos, logo após ambos assumirem cargos no Governo José Reinaldo.
Desde então, Nascimento vem se especializando em não deixar pedra sobre pedra das conquistas sociais dos professores. Denúncias de perseguições a diretores que não tomavam bênção ao grupo governista se tornaram rotina nas escolas estaduais em todo o Maranhão. Depois, junto com José Reinaldo e - agora se sabe - com o presidente do Sindicato dos Professores, Odair José, passou a tramar para anular cada um dos benefícios deixados por Roseana, durante o seu governo, coroado com a implantação do Estatuto do Magistério.
Mas o mestre na arte de enganar não faz isso por vontade própria, embora referende e até sugira alguma coisa para rechear o saco de maldades de José Reinaldo. Na verdade, é o próprio governador quem o instrui a mentir e enganar os professores. José Reinaldo sabe que há na categoria uma nítida tendência de votar em Roseana. Então, se antecipa e persegue os professores.
Descoberto, usa a mídia amilhada para mentir, mentir e mentir.
Mente quando diz que contratou 7.200 novos professores para a rede pública estadual de ensino. Ao todo, foram nomeados 2.217 professores, todos remanescentes do concurso anterior, realizado ainda na gestão de Roseana. Os outros 5.083 professores citados, ou eram contratados, ou trabalhavam em regimes de hora dobrada, ou condição especial de trabalho, sem qualquer vínculo empregatício com o Estado. Serão substituídos por esses 4 mil professores contratados sem concurso, e até o final do ano, depois serão descartados porque os contratos são temporários.
Mas Edson Nascimento não é o único PhD na arte de mentir. Seu chefe, José Reinaldo, tem mestrado e doutorado nessa arte. E mente, desbragada e cinicamente, quando diz que vai conceder um reajuste salarial para os professores de 82 por cento até dezembro de 2007. Além de que no final deste ano seu mandato acaba - alvíssaras! -, não podendo, portanto, ser contabilizado o próximo ano, o governador não concedeu nenhum reajuste de fato. O que ele fez foi implantar parte da progressão funcional dos professores, conforme estabelece o Estatuto do Magistério, promulgado no Governo Roseana.
Mas o governador e seu trêfego secretário sabem que o mal que fizeram à educação, de uma forma geral, e aos docentes maranhenses, especificamente, não será esquecido facilmente. Ainda que eles sigam mentindo por mais tempo, o que disserem será denunciado por quem está realmente interessado na construção de uma educação cidadã.
Em breve, o Maranhão vai se livrar daqueles que destruíram o sonho de uma geração inteira de professores que tentaram ingressar na carreira do magistério, mas tiveram seus sonhos destruídos da forma mais torpe por esquemas corruptos, que visam a beneficiar correntes políticas que aceitam se aliar ao governador, para dar seqüência ao seu projeto de demolir a educação pública no Maranhão. A realização do processo seletivo para contratação provisória de professores, por exemplo, é uma afronta aos mestres. É hora de dar um basta!