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Alquimista


Data de Publicação: 19 de março de 2006
 
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Em junho de 2002, quando apresentou ao Tribunal Regional Eleitoral, sua declaração de bens para concorrer à reeleição ao Governo do Estado, José Reinaldo apresentava um modesto patrimônio para quem havia sido ministro de Estado, dirigindo a poderosa pasta dos Transportes. Aliás, modestíssimo até para quem, na condição de vice-governador, assumira o cargo de chefe do Executivo alguns meses antes. Afinal, quatro décadas se passaram desde que o então governador José Sarney o transformara de um simples técnico em Secretário de Viação e Obras Públicas.

Foram quase 40 anos de bons empregos, bons cargos e bons salários, sempre atrelado ao prestígio do senador maranhense. Sua declaração de bens de então retratava o homem probo que Sarney acreditava que ele fosse.

Quatro anos depois, o que eram R$ 549 mil declarados - quase todo aplicado num único apartamento em Brasília - se transformaram num montante incalculável. O abalizado e sempre bem informado jornalista Giba Um, publicou no final de janeiro, sem contestações, que José Reinaldo destinaria a Alexandra Tavares, sua mulher, R$ 10 milhões a título de indenização pela suposta separação do casal. No mesmo dia, a Secretaria de Comunicação do Governo distribuiu nota confirmando a separação. Mas não a quantia referenciada pelo colunista. Mas também não negou. E no silêncio estava implícita a admissão de que a quantia indenizatória seria aquela mesma citada pela revista.

Para acumular os 10 milhões para pagamento da alforria da mulher, José Reinaldo teria que trabalhar 1.250 meses, ou 104 anos recebendo integralmente os R$ 8 mil do salário de governador, sem gastar um único centavo. Como entre junho de 2002 e janeiro deste ano só se passaram 43 meses, esse valor se tornou impossível de ser atingido pelos meios legais.

De onde veio, então, a grana para pagar a indenização da primeira-dama?

Teria sido das estradas fantasmas e pontes não construídas, cujas faturas de, supõe-se, mais de R$ 40 milhões foram pagas regiamente pelo governo ao senhor Lourival Parente e ao pessoal da Guatama?

Ou o cala-boca de Alexandra teria saído do criminoso acordo perpetrado pelo governador com a construtora Camargo Correa? Segundo se apurou, a bolada atinge R$ 217 milhões. A indenização de 10 milhões de reais é somente 5 por cento desse montante.

Há uma lista enorme de esquemas em que o governador e a primeira-dama estiveram supostamente envolvidos que facilitariam enormemente o pagamento do distrato nupcial. Compra de livros superfaturados, contratação de aeronaves, gastos de mais de 30 milhões de dólares com publicidade, convênios imorais com instituições ligadas a seus assessores e/ou comandadas por deputados aliados ao seu grupo político, verbas desviadas da saúde pública para outros setores alheios a área e contratação, sem licitação, de cooperativas cujo mérito é ter entre seus dirigentes pessoas ligadas a quem? Ao governador e à primeira-dama.

Bom, fontes não faltam para abastecer o que o colunista Giba Um chamou de "cofrinho da primeira-dama", mas que na verdade se constitui num verdadeiro bunker para guardar uma quantia tão vultosa.

Bom, e o governador? Ao final do casamento e de seu governo, continuaria com os mesmos quinhentinhos que amealhou ao longo de 40 anos de vida pública? Decerto que não! Ele vai querer, no mínimo, sair com o dobro do que pagou a sua mulher para montar a farsa de uma separação, que só acredita nela quem acha que somos todos idiotas.

Mas não somos. Nós queremos é saber quem paga a conta...

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