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Raimundo Cutrim: 'Sempre fui ligado à senadora Roseana'
Data de Publicação: 19 de março de 2006 | | |
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O delegado federal aposentado e ex-secretário de Segurança do Estado, Raimundo Cutrim, 52, concedeu entrevista exclusiva ao jornal Veja Agora.
Nascido em São João Batista, na Baixada Maranhense, e pai viúvo de três filhos, Cutrim falou, dentre outras coisas, da sua saída da Secretaria de Segurança, a pedido do governador José Reinaldo (PSB), depois de nove anos à frente da pasta; das mudanças no quadro da Segup após a posse da nova cúpula, comandada por Raimundo Marques; da devassa que está sendo efetuada nas contas da Secretaria para investigar a sua gestão; e da sua intenção de lançar-se candidato a deputado estadual nas eleições de outubro.
Muito sereno, Raimundo Cutrim explicou detalhes da sua exoneração, disse estar de consciência tranqüila a respeito do trabalho que realizou em favor da segurança no estado e admitiu voltar para a Secretaria caso seja chamado novamente em outra administração. "O que eu sei fazer é segurança e tenho certeza de que houve aprovação das comunidades", disse.
Jornal Veja Agora - O que o senhor ainda tem a falar sobre a sua saída da Segup?
Raimundo Cutrim - Eu não tenho muita coisa pra falar sobre a minha saída. Eu tinha um compromisso com o governador até dezembro, mas ele, no dia 30 de janeiro ele me pediu o cargo, porque precisava e eu, evidentemente, entreguei.
Jornal Veja Agora - E ele disse as razões por que estava pedindo o cargo?
Raimundo Cutrim - Ele falou: 'Eu vou precisar do cargo, nós vamos entrar para uma campanha' e tal, tal, tal... e eu também não perguntei qual o motivo de estar precisando. Disse: 'Está aqui o cargo' e segunda-feira eu entreguei.
JVA - E o sistema prisional, como fica agora sob a administração Raimundo Marques?
RC - Pra se ter um idéia, a Penitenciária, depois que eu saí da Secretaria de Segurança, até hoje está do jeito que eu deixei, não construíram nada. Eu reformei toda a penitenciária, construí um gabinete dentário, um gabinete médico, construí alojamentos para os agentes penitenciários, que não tinha, construí a permanência, uma enfermaria. Implantamos o curso de informática, que também não tinha, regularizamos a escola junto à Secretaria de Educação e, além disso, nós instalamos a fábrica de bolas, a fábrica de confecções. Foi construído o presídio de segurança máxima e construímos, ainda uma penitenciária em Timon e outra em Pedreiras.
JVA - O senhor não acha que, com todo esse trabalho, deveria estar credenciado a permanecer até o fim do ano?
RC - O trabalho que eu administrei foi cem por cento desvinculado de política. A ex-governadora Roseana foi a primeira no norte- nordeste a implantar esse sistema de desvincular a polícia de política. E nisso eu trabalhei até o dia trinta de janeiro, evidentemente que não houve interferência política. Agora, daqui pra frente, depois que eu entreguei, não sei como é que está.
JVA - E o senhor é mesmo candidato pelo PFL?
RC - Sou pré-candidato a deputado estadual. Não era candidato, porque tinha o compromisso até dezembro, mas, depois que eu saí, eu estou vendo que tenho condições de sair candidato a deputado estadual.
JVA - O governador José Reinaldo está tentando desarticular a sua candidatura? Qual a sua avaliação sobre a devassa que estão promovendo nas polícias Civil e Militar?
RC - Nós gastamos o que tínhamos que gastar. Se houver algum problema é formal, porque tudo o que entrou saiu e eu desafio que provem que eu gastei, por exemplo, com imprensa. Eu não tinha recursos para isso e não via uma maneira legal de fazer isso, então, não fiz.
JVA - O senhor acha que isso é alguma retaliação pelo fato de estar ligado à senadora Roseana?
RC - Eu acho que não. Eu sempre fui ligado à senadora e o José Reinaldo sempre soube disso. Eu sou filiado ao PFL e, evidentemente aceitei concorrer ao lado da senadora.
JVA - O senhor aceitaria voltar à Secretaria de Segurança caso fosse chamado em outro governo?
RC - Sim. O que eu sei fazer é segurança, minha especialidade é segurança e tenho certeza de que houve aprovação das comunidades. Vamos aguardar né?- Próximo texto:
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