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Farinha do mesmo saco, saco das mesmas almas


Data de Publicação: 19 de março de 2006
 
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Cantador: Zé Fogoió



A Frente da Traição
Entrou no balaco-baco
Em cada reunião
Cada rato quer seu naco
Inda fazem confusão
Pra dizer que eles não são
Farinha do mesmo saco

Êta classe desunida
A classe de traidor
É um tal de morde, abana
Pro outro não sentir dor
Mas nenhum quer ser igual
Ao outro que como tal
Foi até seu professor

Se é mentira o que eu falo
Vejam só o Zé Noel:
Escolheu o velho bobo
Pra servir de seu corcel
Nesse fato mais canhestro
Botou cela e cabresto
Pra encenar seu papel

O jurássico da tela
Por onde o ódio fez franja
Sujeitou-se na novela
Com amargura que esbanja
No meio de tanta uva
Com o dinheiro da viúva
Ser tratado de laranja



Narciso desde criança
Tão fulo ficou vermelho
Quando seu líder traíra
Mandou mirar-se no espelho
Falando do candidato
Disse que o velho chato
Nem que fique de joelho
Pedindo voto na esquina
Todo dia da semana
Nem com banho de anilina
Daquela tal mãe Joana
Nem convênios de milhões
Nem conchavos dos leões
Derrotará Roseana

O velho ficou pai-d'égua
Perdeu a língua o coitado
Como já tá na boquinha
Do seu líder, envergonhado
Tirou da boca a chupeta
E escolheu Dr. Peta
Para ser seu advogado

Só que o papel do peta
De tão pequeno encolheu
Não vale mais a roseta
Que no carnaval perdeu
O crédito tá como pira
De tanto escrever mentira
O povo já o esqueceu

Que desastre! Que vergonha!
Que ocaso de uma vida!
Entre folhas da maconha
Que vomitou escondida
Com o próprio ódio bebeu
O chá que lhe enlouqueceu
Com essa fome desmedida

Nem no Crato - Ceará
Vi homem tanto descer
Pra pode se segurar
Nas entranhas do poder
Ofender uma mulher
Que lhe deu guarida até
Pra que pudesse vencer

Tudo isso por frouxura
Por covardia abonada
Por estar nessa tortura
Como laranja estragada
Sem poder falar do Zé
Que empregou sua mulher
Uma rosa é torturada

Mas digo de dentro d'alma
Pra esse covarde sem prosa
Só mais um pouco de calma
Que a nossa ternura dosa
Não se relaxa um metal
Nem se insulta um animal
E quanto mais uma rosa

Um velho sem compostura
Só é digno de reza
Precisa de acupuntura
Pra essa dor que se revesa
Se é da moral que aleja
Ou é da própria inveja
Que até satanás despreza

Na mesquinhez do discurso
O velho babaca enrola
Com raiva de Zé Noel
Que lhe chuta que nem bola
Faz exercício pra asma
Toda noite com os fantasmas
E o vil metal na sacola



Candidato assumido
Do refrão não larga o taco
Ele virou comprimido
Que saiu pelo buraco
No liquidificador
É suco da mesma cor
Farinha do mesmo saco

Pode ficar zangado
Que eu não mudo de rima
Vaqueiro conhece o gado
Como laranja da lima
Candidato ultrapassado
Odiento e humilhado
Eu vou passando por cima

Lava a boca, pelo menos
Quando falar de quem presta
Porque estes teus "igualas"
São pares da mesma festa
Enfia a cara na fronha
Pra não morrer de vergonha
Pelo pouco que te resta

Há registro na história
Da tua insanidade
Dizias ser palmatória
Da própria humanidade
Não passas da mesma escória
Com essa difamatória
Tendo tua identidade

Jogaste no lixo o pouco
Do pudor que te restava
Como um ventríloquo louco
Dos ecos que escutava
És um cão perdido e cego
Massageando teu ego
Com as mentiras que inventava

Te resta ainda um consolo
Pra ter uma felicidade
Devolve a parte do bolo
Esquece a indignidade
Pois ser feliz nesta vida
É ter a cabeça erguida
Sozinho sem vaidade

De nada vale um cacho
De banana apodrecido
Mas é preciso ser macho
Pra vê-lo reconhecido
Nem o cachorro consome
Podridão não mata a fome
Só te faz é mais perdido

Foste tu quem traiu Dutra
Aniquilaste o partido
Processaste Zé Noel
E te fizeste de esquecido
Rasgaste tua bandeira
Ao enganar Cafeteira
De quem foste protegido

Ainda quando prefeito
Ser honesto prometeu
Por ser metido a direito
O povo nunca esqueceu
Ao invés de limpar a cidade
Tu limpaste de verdade
Os cofres da Coliseu

As provas estão a nu
Os guabirus de esgoto
De comer tanto ouro cru
Continuam dando arroto
Por causa da complascência
Toda de vossa excelência
Continuam livres soltos

Então meu velho, responda:
- Por que briga no barraco?
São bóias da mesma onda
Catinga de um só sovaco
São folhas da mesma palma
São sacos da mesma alma
São almas do mesmo saco

Um faz estrada fantasma
Outro obras virtuais
Até hoje o povo pasma
Com a impunidade de mais
Só as urnas vão falar
Quando outra vez reprovar
Os teus traços imorais

Isso é elo, isso é cordão
Isso é algema, aliança
É beijo de traição
Matando nossa esperança
Essa dupla nesses meses
Já são irmão siameses
Só querendo encher a pança

É o casal vinte e dois
Cara-de-pau, sem vantagem
É pinto do mesmo choco
Mesmo tempo de ninhagem
É vinho do mesmo baco
É alma do mesmo saco
A nos fazerem visagem

O que fizeste com Rocha
Já tão fazendo contigo
Laranja que desabrocha
Na praga do próprio amigo
Hoje o líder Zé Noel
Te escalou nesse papel
Pra te dá mais um castigo

Com a mulher secretária
De um governo abandonado
Pra reformar o colégio
Só se o nome for mudado
Até mesmo contra a lei
Pra agora, uma tal de Clay
Se quiser ser reformado

São essas coisas miúdas
De conversa de esquina
Que deixa a turma sisuda
Com catarro na narina
O velho inda nem chegou
Já é o governador
Pelas mãos da czarina

Como um lago abandonado
Pela beira de uma estrada
Teu futuro está traçado
Nessa tua encruzilhada
Zé Noel te fez de otário
Serás só depositário
Dos seus degetos, mais nada

Jairzinho, é merencório
Quando um homem acaba assim
De terno sem suspensório
De casa sem um jardim
Com sapato meia-sola
E um campo cheio, sem bola
Gritando! Chegou ao fim

Farinha do mesmo saco
Só alimenta ti ti ti
Pé da mesma mandioca
E do mesmo tipiti
Esprimidos entre o ódio
Que só lhe deu como pódio
O rancor dentro de si

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