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ESTRADAS E PONTES FANTASMAS - José Reinaldo quer que o cunhado Dominici assuma sozinho a culpa
Data de Publicação: 19 de março de 2006 | | |
| O CULPADO É SEMPRE O MORDOMO

Exatamente no tempo em que era aguda a crise financeira do Governo do Estado, em 2003, José Reinaldo e Alexandra pagaram a empreiteiras milhões de reais por estradas e pontes que não foram nem iniciadas, mas que foram dadas pela Secretaria da Infra-estrutura como concluídas. Dois anos depois, quando o caso explodiu, o governador tentou apagar o crime, mandando raspar alguns trechos de estradas vicinais e construir duas pontes no meio do nada. No centro da fraude que lesou os cofres do estado está o secretário licenciado da Infra-estrutura, João Cândido Dominici, sobre quem deverá recair toda a culpa pelo escândalo.
Sabendo que foi "eleito" para ser sacrificado, em lugar do casal governamental, Dominici, que é casado com uma irmã do governador, dá sinais de angústia: há meses não faz mais sua caminhada matinal na Praia de São Marcos, pouco sai de casa e há três semanas interrompeu uma festa de aniversário em sua residência para fazer um discurso, explicando de que forma se envolveu com o saque aos cofres do estado. Pelo que disse, apenas cumpriu ordens. Mas a estratégia dos advogados que defendem o governador e Alexandra, então presidente do Comitê de Gestão Orçamentária do Governo, instância maior para decidir o que pagar, é dizer que, no caso das estradas fantasmas, o ordenador de despesa era o secretário da Infra-estrutura.
Pelo pagamento integral de obras que não foram nem iniciadas, além do governador, Alexandra e Dominici, estão denunciados Reinaldo Bandeira, superintendente de Obras Rodoviárias da Infra-estrutura; Lourival Parente Júnior, dono das construtoras Petra e L. J. Construções, e mais a Construtora Guatama, de São Paulo. O esquema foi pago no segundo semestre de 2003, quando funcionários da Infra-estrutura eram instruídos a fazer notas de pagamento para trechos de estradas que eles mesmos escolhiam entre dois povoados registrados no mapa do Maranhão. Sobre as pontes, os rios secos até existem, mas elas nem foram projetadas. Já em 2005 duas delas foram construídas, em locais distantes dos que registram os processos de pagamento, curiosamente sem nenhuma estrada nos seus arredores.
Na época, o governo estava sob forte pressão de credores e a palavra oficial era de que o caixa estava a zero. Professores, vigias e zeladores contratados para o ensino de segundo grau acumulavam até 6 meses de salários atrasados e vários outros setores estavam paralisados por causa da crise financeira. Mas para o esquema das estradas fantasmas não faltava dinheiro. Os processos eram pagos no dia em que eram fechados. Estima-se em mais de R$ 40 milhões o rombo deixado pela fraude, mas a representação feita contra os criminosos registra R$ 5.263.393,56, pagos às duas construtoras de Lourival Parente e Guatama. Quando o caso veio à tona, o governador disse ser amigo de Parentee num ato de confissão, disse textualmente que. "Lourival assumiu a culpa de tudo e me disse que vai fazer todas as estradas". Existe uma ação popular, pedindo a devolução do dinheiro, e o Ministério Público entrou no caso, acusando todos, menos José Reinaldo e Alexandra. Pelo que propõe o MP, pelos crimes em que se envolveu, o cunhado do governador corre o risco de ser preso.- Próximo texto:
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