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SAÚDE - Novo marca-passo prevê crise de insuficiência cardíaca


Data de Publicação: 19 de março de 2006
 
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FERNANDA BASSETTE
DA REPORTAGEM LOCAL


A Anvisa aprovou e já está em uso no país o primeiro marca-passo que avisa o paciente quando há excesso de líquido nos pulmões, evitando que ele tenha uma crise de insuficiência cardíaca. A doença, que causa enfraquecimento do músculo cardíaco, reflete diretamente no acúmulo de líquido nos pulmões e, em alguns casos, pode levar à morte.

Segundo o cirurgião cardíaco Nelson Hossne, da equipe de marca-passo da Unifesp, do total de pacientes com a doença - estima-se que sejam 2,5 milhões de brasileiros -, cerca de 30% têm insuficiência cardíaca grave e, portanto, teriam indicação para o uso do marca-passo.

Os primeiros estudos internacionais apontam que o novo aparelho é capaz de indicar com até duas semanas de antecedência o início de um quadro de insuficiência cardíaca, evitando possíveis internações do paciente em unidades de terapia intensiva.

'Antes que os sintomas graves apareçam, o paciente entra em contato com o médico e relata o problema. Assim, o profissional é capaz de reverter o quadro com outros medicamentos, sem precisar interná-lo', afirmou José Carlos Pachón, diretor do serviço de arritmias do Hospital do Coração.

Reduzir a necessidade de internação é um dos principais argumentos do custo/benefício do aparelho _que é fabricado por uma empresa americana, custa R$ 98 mil e não está disponível pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Pacientes com insuficiência cardíaca grave, diz Hossne, chegam a ser internados de cinco a oito vezes por ano, sempre em UTIs. 'Eles precisam receber medicamentos para estabilizar a pressão e os batimentos cardíacos e isso só pode ser ministrado em UTI com acompanhamento permanente.'

O cardiologista Argemiro Scatolini Neto, do setor de eletrofisiologia cardíaca da Santa Casa de São Paulo, frisa a importância dos marca-passos para vítimas de insuficiência cardíaca. 'Não apenas esse novo aparelho, mas os marca-passos em geral reduzem a necessidade de internação e melhoram a qualidade de vida dos pacientes', diz. 'Infelizmente, o número de implantes autorizados pelo SUS ainda é muito irrisório se pensarmos que seria uma economia a longo prazo.'

Outro fator apontado como significativo é tirar o paciente grave da fila de transplante cardíaco. 'Se ele responder bem ao uso do marca-passo, com certeza ele sairá da fila ou terá a indicação do transplante adiada', afirmou o cardiologista Martino Martinelli, diretor do serviço de marca-passo do Incor (Instituto do Coração) e presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas.

Em geral, explicam os especialistas, o tratamento da insuficiência cardíaca é medicamentoso. O paciente toma diuréticos para eliminar o excesso de líquido no corpo e também toma medicamentos que aumentam a força de contração do músculo cardíaco.

Antônio Luiz Pinheiro, consultor técnico do Ministério da Saúde, disse que a pasta ainda não recebeu solicitação de inclusão do novo marca-passo nos procedimentos pagos pelo SUS. Segundo ele, a incorporação depende da comprovação de eficácia em estudos controlados e publicados e do reconhecimento de que a opção é melhor quando comparada a tratamentos alternativos.

'O impacto desse aparelho foi objeto de apenas poucos estudos na literatura médica. Uma análise inicial dos resultados obtidos sugere que o sistema poderia efetivamente ser útil em pacientes selecionados, mas uma opinião definitiva dependeria de análise mais aprofundada.

Como funciona

O marca-passo é implantado no paciente embaixo do músculo, ao lado esquerdo do tórax, por meio de uma cirurgia. Um eletrodo aplica estímulos no músculo cardíaco (para evitar o enfraquecimento) e também monitora o volume de líquido no pulmão.

Os sinais elétricos para detectar a proporção entre o volume de líquido e a quantidade de ar no pulmão são emitidos sempre das 12h às 18h, horário em que o paciente está mais ativo. Diante de qualquer anormalidade, o aparelho emite um sinal sonoro três vezes. '

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