José Reinaldo Tavares está tateando no escuro. E está levando para o buraco, antecipadamente, o sonho de Jackson Lago concorrer ao Governo do Estado em outubro próximo. Desnorteado ante a iminência da derrota para a senadora Roseana, o que seria a pá de cal na sua lápide política, José Reinaldo dribla os aliados, mente para Jackson e tenta convencer o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Edson Vidigal, a lançar-se numa aventura que pode lhe custar 8 anos de carreira na magistratura.
A falta de experiência como coordenador político faz com que as ações do governador se revelem desastradas e mostrem que ele é um político sem a menor capacidade aglutinadora. Tudo as manobras que faz em busca de um nome para concorrer com Roseana acabam se revelando pífias que, ao invés de unir a base parlamentar que montou à custa de muita negociata, termina por dividi-la em seguimentos cada dia mais conflitantes entre si.
A par das centenas de milhões de reais que vem despejando na compra criminosa de prefeitos e deputados, sempre através de convênios espúrios, o governador se movimenta no sentido contrário da maioria da frente governista. E o faz sem o menor pudor de ofender um homem que diz pautar sua vida pública pela sua biografia de integridade e honestidade. O ex-prefeito Jackson Lago, que até dez dias atrás acreditava ser o nome de consenso da aliança reinaldista, vem sendo humilhado sucessivas vezes pelo governador, que não o poupa nem mesmo de, em entrevistas, aponta-lo como um fraco.
As investidas de José Reinaldo para convencer Vidigal a deixar a toga e se transformar no "salvador da pátria" governista tem um ingrediente que chega a agredir a imagem do ministro. Reiteradas vezes José Reinaldo deixou patente que o presidente do STF não é seu candidato para valer, mas é apenas parte integrante de uma "estratégia para derrotar a oligarquia", segundo palavras do próprio governador ao apresentador Chico Viana. Na ótica zarolha de José Reinaldo, Jackson não ganha de Roseana e é até "um risco" para uma vitória da senadora no segundo turno. Isso não é dedução de nenhum gênio, mas uma constatação apoiada em todas as pesquisas, inclusive as que o próprio governador mandou fazer e que ele mantém guardadas a 7 chaves.
O que causa espécie até mesmo a quem tem pouca intimidade com a análise do quadro político, é que o ministro se preste a ser um segundo candidato, alguém que só serve, ainda na ótica zarolha de José Reinaldo, para tirar votos de Roseana e levar Jackson ao segundo turno. "Ele faz parte dessa estratégia", já admitiu publicamente o governador.
E o ministro, como fica? Sem toga e sem mandato? Sem toga e sem legenda? Sem toga e abandonado por quem já traiu Sarney e, agora, Jackson Lago? Será que o ministro Edson Vidigal acredita piamente que José Reinaldo é o comandante de uma grande mudança no Maranhão, capaz de transformar seu governo corrupto e venal num novo modelo de administração pública?
Enquanto oferece todas as regalias a Vidigal, Jackson dá as costas para a frente governista. Primeiro, fechou as portas aos 21 deputados que o procuraram para emprestar apoio a Jackson. Depois, escolheu a dedos aqueles que puderam entrar no seu camarote no carnaval e, por fim, viajou a Caxias para negociar com Vidigal sem consultar seus aliados e sem sequer dar conhecimento de sua viajem ao ex-prefeito Jackson Lago, demonstrando, uma vez mais, que não lhe devota o menor respeito e consideração. Essa situação já começa a provocar desconforto entre seus aliados, que já começam a conversar nas coxias em busca de uma solução que permita isolar o governador sem deixar que se fechem as chaves dos cofres públicos. A solução? Só com mágica.