VÍRUS DA TRAIÇÃO
O governador José Reinaldo não recebeu em sua casa os deputados da Frente da Traição que o procuraram para emprestar apoio à candidatura do ex-prefeito Jackson Lago, na última sexta-feira, porque tinha outros planos para o dia seguinte: ele iria se encontrar, no sábado, com o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Edson Vidigal, em Caxias, a quem reiterou o convite para concorrer ao Governo do Estado.
O convite, recebido com reservas pelo ministro, foi mais um golpe traiçoeiro contra o ex-prefeito Jackson Lago, que mais uma vez é humilhado publicamente pelo governador, que deixa bem claro que não acredita na candidatura do pedetista e decididamente partiu para o confronto com os partidos que apóiam a sua candidatura.
Mas, ao contrário do que aconteceu na última vez em que o nome de Jackson foi anunciado como o representante dos governistas, na festa feita no Lítero, e, depois, recusado publicamente pelo governador em entrevista a um programa de TV, o ex-prefeito não deve reagir ao anúncio de mais um ato na longa carreira de traições do governador. Jackson sabe que a sua candidatura precisa da máquina governista para ser viabilizada e vai continuar engolindo sapos e ficando em silêncio. O ex-prefeito também sabe que a candidatura de Vidigal pode ser apenas um balão de ensaio, já que o ministro ainda reluta em se lançar nessa aventura, pois sabe que pode ficar sem o mandato e sem a toga, já que seu nome vem sendo sistematicamente recusado pela maioria dos partidos que compõem a frente governista.
Rejeição
A forma moderada como o candidato do PDT vem enfrentando a traição reinaldista se baseia no fato de que até mesmo o Partido dos Trabalhadores, que supostamente daria legenda ao ministro, vem se recusando a entrar nesse jogo. A maioria da Executiva Estadual, sob a liderança da deputada Helena Heluy não crê que Vidigal seja um nome que possa unir o partido e vai tentar barrar sua candidatura realizando prévias.
Restará ao ministro lançar-se pelo partido do governador, que tem verba, mas não tem voto e sequer é estruturado nos municípios maranhenses. A maioria dos prefeitos também não quer embarcar numa aventura político-eleitoral e mesmo aqueles ainda afinados com José Reinaldo esperam pelo fim do prazo de desincompatibilização para avaliarem o quadro e então decidir qual rumo tomar. É provável que, sem a toga, Vidigal enfrente uma resistência cada vez maior dos governistas e possa chegar ao final do processo eleitoral também sem legenda para concorrer.