OS ARREPENDIDOS
Na contramão do descanso que sugere a Quarta-Feira de Cinzas, o Bloco Os Arrependidos, do bairro da Madre Deus, fez a festa durante todo o dia e arrastou foliões pelas ruas da cidade. Desde às 7h da manhã, integrantes e simpatizantes começaram a se reunir na Praça do Goiabal, ponto de concentração da brincadeira.
Foi lá também que foram servidos caldo de feijão e vinho à vontade para garantir o pique dos foliões que saíram às 12h30 pelas ruas da Madre Deus, Rua do Norte, Praça Deodoro, Avenida Magalhães de Almeida, retornando ao ponto de concentração para encerrar a festa.
Cerca de 1000 integrantes compõe o bloco que há quase 30 anos repete a façanha de desfilar em plena Quarta-Feira de Cinzas. Fundado por antigos comerciantes do bairro, o bloco guarda no nome a intenção da brincadeira: reunir os arrependidos dos excessos de carnaval para se redimir na folia.
Quem explica é Marco Antonio Silva Assunção, presidente do bloco, que há quase 30 anos faz parte da brincadeira. O pai dele, Juarez Assunção, é um dos fundadores do bloco que lançou em janeiro o primeiro CD.
Da família de 6 irmãos, todos participam da folia, inclusive o pai, Juarez, que sai em uma cadeira de rodas em cima do trio elétrico há três anos, desde que perdeu uma perna por causa da diabetes. O bloco passou 10 anos sem sair, no período de 1986 a 1996. Segundo conta Walter Henrique, outro filho de Juarez, ele e os irmãos foram os responsáveis pelo resgate da brincadeira.
Para que ninguém perca a festa, o "arrependido" Filomeno Procópio Costa, que sai no bloco há quase 30 anos, diz que desde às 6h da manhã o bairro é sacudido pelo espocar de foguetes que visam acordar os foliões. Mesmo quem está dormindo acorda. É obrigatório", brinca.