A Vila Isabel é a escola campeã do Grupo Especial do carnaval carioca. A escola recebeu 397,6 pontos dos 400 possíveis. A apuração ocorreu na tarde desta Quarta-Feira de Cinzas, na Praça da Apoteose.
Esse foi o primeiro título da escola desde 1988, quando a Vila venceu a disputa com o enredo "Quizomba, Festa da Raça", até então o único título da agremiação. Curiosamente, a vitória da escola ocorreu num ano em que a Vila veio para a avenida de "cara nova", com fantasias mais luxuosas devido ao patrocínio da estatal venezuelana de petróleo PDVSA, que não teve o valor divulgado, e sem o seu representante mais famoso, o presidente de honra da escola, Martinho da Vila.
Segundo o presidente da escola, Wilson Vieira Alves, apelidado de Moisés, o patrocínio da PDVSA foi fundamental para que a escola trouxesse "alegorias ricas" falando sobre a integração cultural dos povos latinos.
A segunda colocada, a Grande Rio, obteve a mesma pontuação. O quesito samba-enredo deu a vitória à Vila. Na prática, a Grande Rio só não foi campeã por ter perdido 0,2 ponto por ter atravessado a avenida em 81 minutos, um a mais do que o permitido pelo regulamento.
A Vila Isabel fez uma homenagem à América Latina na madrugada de segunda-feira. O enredo "Soy loco por ti América - A Vila canta a latinidade" mostrou a cultura da região e os resultados da miscigenação entre os povos.
O presidente da agremiação atribuiu à vitória ao samba-enredo e à adoção de uma gestão empresarial. "A Vila precisava de uma boa quadra, de um bom barracão e de ter alegorias em condições", disse.
Sem Martinho
O samba-enredo que garantiu a vitória à Vila Isabel foi o cerne da briga entre a diretoria da agremiação e Martinho da Vila. O cantor foi convidado a compor um samba para a escola, que foi rapidamente desclassificado. Magoado, Martinho brigou com a diretoria da escola. Ele ainda acusa a escola de usar um enredo seu já que havia gravado um disco chamado "Brasilatinidade".
Ao som da música que tem entre os versos "A Vila Isabel semeia/ Sua poesia em 'portunhol'", a escola iniciou seu desfile com uma comissão de frente que fazia referência às bananas. Além dos integrantes com roupas que lembravam a fruta, havia uma alegoria que abria e fechava, como a casca da banana.
As primeiras alas e carros alegóricos mostravam a civilização pré-colombiana - antes da chegada dos Europeus. O Brasil apareceu em um carro alegórico que mostrava uma oca gigante. Além de muita palha, ele tinha vasos de cerâmica marajoara, típica da ilha de Marajó.
Para falar sobre a Festa dos Mortos, do México, que representa uma ponte entre o mundo dos vivos e o dos seus antepassados, o carnavalesco Alexandre Louzada idealizou um carro com 76 caveiras de fibra de vidro. O carro que fechou o desfile trouxe uma homenagem ao herói da independência dos países andinos, Simon Bolívar (1783-1830), em um trono de 13 metros.
Um dos destaques ficou por conta do carnavalesco Joãosinho Trinta, 72, que apareceu em um carrinho motorizado junto a outros cadeirantes - em novembro de 2004, ele preparava o desfile da Vila Isabel quando sofreu um derrame.