Alheio à preferência da cúpula do PSDB, que pende para o lado de José Serra, Geraldo Alckmin age como se já houvesse sido indicado candidato oficial do tucanato à presidência da República. Sob reserva, informou a interlocutores próximos que não pretende fazer a defesa do governo FHC (1995-2002) durante a campanha deste ano.
Na opinião de Alckmin, o PT tentará arrastar o PSDB para um jogo de comparações entre as gestões de Lula e de FHC. Alckmin diz que, se for o candidato do tucanato, fugirá dessa "armadilha". Quer nortear o seu discurso de campanha pelos feitos que julga ter obtido como governador de São Paulo. "Tenho uma obra a mostrar", diz o governador de São Paulo.
Além disso, Alckmin pretende associar a sua imagem não à de Fernando Henrique Cardoso, mas à de Mario Covas, morto em 2001. A convite de Lila Covas, viúva do ex-governador, Alckmin participa na próxima segunda-feira, em Santos, de uma homenagem ao "amigo", cuja morte fará aniversário de cinco anos.
Em público, Alckmin recolheu as baterias. Depois de assistir a parte do desfile das escolas de samba do Rio, ele se refugiou em sua cidade natal, Pindamonhangaba (SP). Ontem já estava de volta ao Palácio dos Bandeirantes, onde aguarda pela decisão do partido.
Nos bastidores, Alckmin exibe, porém, a mesma disposição intransigente de sustentar a própria candidatura, em contraposição à do prefeito paulistano José Serra. Diz e repete que, se Serra quiser mesmo concorrer, terá de disputar com ele no partido.
Um correligionário de Alckmin leu na Folha de terça-feira reportagem informando que o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, conversará hoje com Serra. Se o prefeito confirmar o interesse de concorrer à presidência, Tasso irá a Alckmin, para perguntar ao governador se abre mão de sua candidatura.
A resposta será "não", informa o interlocutor de Alckmin. Ele diz que a saída para a resolução do impasse está no artigo número 151 do estatuto do PSDB, que prevê a realização de prévias. Algo que Tasso quer, a todo custo, evitar. Admite-se, no máximo, a transferência da decisão para um colegiado mais amplo do que o triunvirato FHC-Tasso-Aécio Neves. A Executiva do partido, por exemplo.
Enquanto a decisão não vem, Alckmin mantém a campanha. Viaja na terça-feira para João Pessoa. Ali, será recepcionado pelo governador tucano da Paraíba, Cássio Cunha Lima, um dos que preferem Alckmin a Serra.