O plenário da Câmara dos Deputados manteve, ontem, o mandato do deputado Wanderval Santos (PL-SP), acusado de envolvimento no suposto "mensalão". Wanderval é o sexto deputado absolvido desde agosto de 2005 - apenas quatro foram cassados por enquanto.
Do total de 444 parlamentares votantes, 179 votaram pela absolvição e 242 pela cassação. Houve 3 votos em branco e 20 abstenções. O número mínimo de votos pela cassação - 257 - não foi atingido. O processo contra Wanderval será agora arquivado.
Wanderval é acusado de ser destinatário de R$ 150 mil do "valerioduto". O dinheiro foi sacado por um funcionário do seu gabinete das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza no Banco Rural.
A sessão começou com atraso, por volta das 16h20, com a leitura do relatório elaborado contra Wanderval Santos. O relator, Chico Alencar (PSOL-RJ), afirmou que houve abuso de poder e voltou a dizer que Wanderval Santos "terceirizou" o mandato, obedecendo cegamente às ordens do ex-deputado Carlos Rodrigues (PL-SP), que renunciou ao mandato após as denúncias do "mensalão".
Em seu discurso de defesa, Wanderval afirmou que nunca foi provado seu envolvimento no "valerioduto". Ele afirmou que a ex-diretora financeira da SMPB, agência de Marcos Valério, disse, em depoimento na CPI, que desconhecia o nome de Wanderval. Sofri uma acusação injusta e absurda, disse.
Sobre a crítica de ter "terceirizado" o mandato em favor de Carlos Rodrigues, Wanderval tentou desqualificar a acusação, afirmando que "essa acusação sequer encontra respaldo na lei".