MORTE DE CABO NEEMIAS
Numa ação conjunta dos delegados Paulo Roberto de Carvalho e Regina Barros, respectivamente, titulares do 5º e 16º Distrito Policiais, continuam as investigações a cerca do confronto que resultou nas mortes do cabo Neemias Wanderley da Silva Santos, 41 anos, que residia no Bairro do Fatima, a do traficante Luciano Muniz Costa, 29 anos, morador no Anjo da Guarda, além de dois cavalos.
Apesar da varredura feita pela Polícia Militar nos quatro cantos da cidade, até o fechamento da nossa edição, a polícia ainda não havia conseguido localizar os dois principais suspeitos, Roberto Silva Maranhão e Fernando Pereira Gomes, conhecido como "Pernambucano" ou "Cabrobó". Baseado no depoimento do soldado Joelson Frazão, diferente do noticiado, a polícia começa a trabalhar com a possibilidade que apenas três pessoas estavam no sítio, o traficante que tombou, Roberto e "Cabrobó", ambos fortemente armados.
Ainda em depoimento, os policiais que estavam na operação juntamente com o cabo Nemias, informaram que os bandidos teriam gritado, durante o tiroteio: "Pode atirar que aqui é boca de fumo de polícia".
Envolvimento de policiais
Apesar dessa possibilidade não ter sido comentada pelo Comando do Policiamento Metropolitano, nas fileiras da corporação, o envolvimento de policiais militares não é impossível. Alguns, inclusive, já citam nome de um soldado que teria ligações com o grupo de traficantes que atua na área.
Ontem, a delegada do 16º DP, na Vila Embratel, Regina Barros encaminhou ofício ao Comando da PM para que seja apresentado o soldado Ludervan, do Batalhão de Missões Especiais. Dentre os objetos apreendidos no pequeno casebre, logo após o confronto fatal, um par de algema e um colete a prova de balas com o nome do militar, foram apreendidos. Além de droga, um revólver, uma pistola 9mm, uma escopeta, muita munição e outros objetos foram apreendidos.
Ainda ontem, o coronel Francisco Melo, comandante do CPM, não confirmou o envolvimento ou não de policiais no caso, entretanto diante das informações, segundo ele, ainda é muito pouco para fazer esse diagnóstico. "Nesse caso o inquérito é nosso, tendo em vista que ele morreu em serviço, portanto somente durante o IPM poderemos chegar a essa conclusão", informou o oficial.
A polícia também informou que vai solicitar à Secretaria Municipal de Terras, Habitação e Urbanismo (Semthurb), a apreensão dos animais que foram encontrados no sítio.
Depoimentos
Enquanto o cabo era sepultado no cemitério Jardim da Paz, na estrada de Ribamar, a polícia fazia incursões na área da Vila Embratel e adjacências para prender os acusados, mas não lograram êxito. Porém, acabaram prendendo algumas pessoas, entre elas, um adolescente, de iniciais C.P.C., namorada de Fernando "Cabrobró", o mototaxista Ribamar Lopes Ferreira, e o taxista Carlos Augusto Silva Santos, conhecido como "Gugu".
Em depoimento, a adolescente disse que o namorado esteve na casa dela durante a madrugada, trocou de camisa e avisou que estava fugindo da polícia. Tanto o mototaxista quanto o taxista foram detidos suspeitos de envolvimento com o grupo, porém foram liberados em seguida, assim como a adolescente C.P.C.
Durante toda a tarde, várias pessoas foram ouvidas, entre elas, uma adolescente de 16 anos, de iniciais R.E.C., namorada de "Robertinho", que reside na Vila Embratel. Segundo informações da delegada, a jovem disse que tem um "caso" há dois meses, que na terça-feira "Robertinho" passou na casa dela, deixou um dinheiro, e foi embora sem dizer nada do que estava acontecendo, a jovem foi liberada logo após prestar depoimento.