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Após quebra ilegal, PF e Coaf passam a investigar caseiro


Data de Publicação: 24 de março de 2006
 
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Depois de ser vítima da quebra ilegal de sigilo bancário, o caseiro Francenildo Costa entrou na mira da Polícia Federal e do Coaf (Conselho Administrativo de Controle de Atividades Financeiras). Responsável pela investigação que apura o culpado pela quebra ilegal do sigilo, a PF solicitou para a Justiça a abertura dos sigilos telefônico e bancário do caseiro.

A quebra ilegal dos dados bancários configura violação da lei de sigilo bancário (nº 105/2001) e a pena é de um a quatro anos de reclusão para o autor da quebra. Embora a violação da conta tenha ocorrido na sede da Caixa Econômica Federal --onde Francenildo tem uma conta poupança--, o presidente da instituição, Jorge Mattoso, ainda não compareceu à PF.

Mesmo sem falar com Mattoso, o delegado da Polícia Federal Rodrigo Carneiro Gomes quer quebrar o sigilo bancário de Francenildo para saber se a movimentação financeira do caseiro condiz com os documentos apresentados que mostram o recebimento de depósitos que totalizam R$ 24.990 de dezembro até agora.

Com a abertura do sigilo telefônico, a PF quer confirmar a versão apresentada por Francenildo para justificar a origem do dinheiro: que o depósito teria sido feito pelo empresário Eurípedes Soares da Silva, apontado como seu pai biológico --Silva, entretanto, não reconhece a paternidade.

Numa outra frente, o caseiro está sendo investigado desde segunda-feira pelo Coaf (Conselho Administrativo de Controle de Atividades Financeiras) por suposta lavagem de dinheiro.

O advogado de Francenildo, Wlício Chaveiro Nascimento, disse ter ficado surpreso ao ouvir do delegado Rodrigo Carneiro Gomes que seu cliente vai depor à PF na condição de investigado - pelo Coaf - e não como testemunha ou vítima.

"Pode ser [investigado por lavagem de dinheiro], pois a mãe dele é lavadeira. Vai ver que sobrou dinheiro no bolso da calça dele e ela lavou", disse Nascimento em tom de ironia. "Para nossa surpresa ele está na condição de investigado porque o Coaf requereu que se instaurasse inquérito para investigar uma movimentação que seria incompatível com a conta [renda] dele."
Polícia Federal

O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) disse que a PF quer "ver que celular ele tinha, se realmente viajou para o Piauí, para quem ligou e se recebeu ou telefonou para algum senador".

O delegado da PF afirmou aos senadores que a Justiça ainda analisa os pedidos de quebra dos sigilos de Francenildo. Ele pediu ainda autorização para periciar o computador da Caixa Econômica Federal usado para quebrar o sigilo de Francenildo.

Na conversa com o delegado, os senadores disseram que há suspeita que os responsáveis pela quebra são altos funcionários da Caixa.

"Há suspeita que não foi um funcionário comum. Supostamente seria de diretoria para cima", afirmou o senador Romeu Tuma (PFL-SP).

Identificados os responsáveis pela quebra do sigilo, eles serão intimados pela PF e devem depor à CPI dos Bingos.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que não aceitará a indicação de "simples funcionários" responsáveis pela quebra. Para ele, a CPI deveria descobrir quem deu a ordem para violar o sigilo de Francenildo.

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