A onda de violência que assola a cidade de São Luís e todo o resto do Maranhão tem como força motriz uma única pessoa: o governador José Reinaldo. Depois que realizou suas desastrosas trocas na cúpula da Secretraia de Segurança - substituindo Raimundo Cutrim por Raimundo Marques (o homem que mandou bater nos estudantes na greve da meia-passagem) -, e o coronel Wlliam Romão pelo coronel Pinheiro (o homem que bateu no vice-governador, Jura Filho), no comando-geral da Polícia Militar -, o que se viu foi o aumento indiscriminado dos casos envolvendo atitudes violentas.
E o que é pior é que as ocorrências não se limitam à ação de bandidos, mas, também, à postura truculenta que parte da corporação tomou após a posse do novo comandante, coronel Pinheiro Filho.
Coordenados por dois homens que já deram sobejas demonstrações de despreparo para a função, os policiais militares têm refletido, nas ruas, o comportamento daqueles que deveriam ser exemplo de calma e serenidade para resolver as questões que envolvem a segurança do cidadão comum com o máximo de destreza e eficiência.
Mas não. Preferem a violência e o uso da força, ao invés de privilegiarem o trabalho de inteligência, de investigação aprofundada para solucionar todos os casos com mais exatidão, prática aplicada durante a gestão do delegado federal Raimundo Cutrim nos nove anos que passou à frente da Segup.
Mas, do seu legado, resta apenas o Ciop's, que, não raro, serve para atender a chamadas de cidadãos comunicando atos criminosos dos próprios policiais. Como aconteceu na madrugada de quarta (22) para quinta-feira (23).
Com o pretexto de investigar o assassinato do cabo Nemias Wanderley da Silva Santos, ocorrido na noite da última segunda-feira (20), viaturas da PM dirigiram-se à Vila Maranhão, onde um suspeito estaria escondido num casebre.
O "suspeito" era o jovem José Ricardo, 26, padeiro, que tomava conta do casebre da mãe por conta de sua viagem ao interior. Depoimentos de testemunhas oculares dão conta de que não houve confronto. José Ricardo fazia carvão no momento em que foi abordado pelos policiais.
Solícito - até porque tinha consciência de que nada devia -, atendeu ao chamado da PM e acompanhou os soldados até um matagal.
Ao passarem pela casa de um vizinho, os PM's foram questionados sobre para onde iam e informaram apenas que José Ricardo iria mostrar-lhes algumas coisas. Depois que se embrenharam no mato, fizeram-no se ajoelhar e dispararam um tiro na cabeça, de cima para baixo. José Ricardo estava morto.
Morto não só pelas mãos dos vingadores que tiraram da casa de sua mãe para levarem-no ao encontro da morte. Mas morto também pela inação de José Reinaldo, Raimundo Marques e Pinheiro Filho, que pouca preocupação têm mostrado em defesa do cidadão que, de fato, merece ser protegido.
Pensam apenas em defender seus interesses, para que nada se lhes aconteça. De resto, defendem apenas os padrões que adquiriram ao longo de suas vidas públicas, ainda que tão manchadas pelo cotidiano nebuloso em que se envolveram; pensam unicamente em cuidar para que suas imagens - já tão arranhadas devido ao ocaso de um modelo de administração que, há muito, encontra-se ultrapassado - não sejam apresentadas tais quais realmente são.
E, assim, tentam calar os que querem bradar. Quem ainda quer dar alento à população; dizer-lhes que estão sendo dominados por gente que não respeita seus direitos, que não lhes dar a chance de reivindicar.
Fazem como, a seu modo particular, fizeram com o jovem padeiro. Atiram para matar, apenas para poderem, depois, bater com uma mão na outra e dizer: dever cumprido. Sem ressentimentos. Mas a História há de lhes cobrar a fatura.